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quarta-feira, 25 de julho de 2018

POR QUE RAZÃO OS PROFESSORES DO QUADRO “FOGEM” DE LISBOA?



Ficaram mais de seiscentas vagas do quadro por preencher no QZP7, ou seja, Lisboa e arredores deixaram de interessar aos professores do quadro. A razão principal é o salário. 
Mesmo para um professor do quadro, ou seja, inserido nessa carreira tão bem remunerada, lecionar em Lisboa não atrai. Pode Filinto Lima (que se acha competente para falar de tudo e mais alguma coisa) dizer que são as zonas problemáticas ou os sindicatos acharem que é o interior. Não é, é o salário. Ele é tão baixo para o custo de vida da capital portuguesa, especialmente se tiver que pagar casa e alimentação e transportes, que o professor se arrisca a pagar para trabalhar. Ora, como ninguém é tonto, procura um local onde lhe paguem pelo trabalho e não seja ele a pagar para trabalhar.
Nos últimos anos, o Ministério da Educação tem tentado conter este abandono dos professores do quadro da zona de Lisboa, “obrigando” os contratados a penar na capital, sobretudo através da alteração das regras do concurso de colocação de professores, em regime de mobilidade interna, fazendo sair em momentos diferentes as colocações dos horários completos e incompletos.

 É claro que os professores contratados não têm escolha e muitos sujeitam-se a ter um rendimento mensal inferior ao ordenado mínimo para não perderem anos de serviço e desse modo continuarem a acalentar a esperança de entrar para a carreira docente. Outros já desistiram de tal ideia e procuraram outra profissão.
O problema de base é o mesmo que está na génese da luta dos professores – os baixos salários de uma parte significativa da classe. Se o professor trabalha perto da sua residência, ele ainda consegue sustentar-se e à sua família, mas se tem de ir viver para Lisboa ou Porto, arcando com todos os custos de uma deslocalização forçada, então o mais sensato é concorrer para outro lado.

A sociedade portuguesa tem desconsiderado os professores, nos últimos anos. Acham que trabalham pouco e ganham muito. O tempo e as circunstâncias tratarão de fazer justiça a uns e dar uma lição a outros. Terão cada vez menos professores, tê-los-ão pior preparados e muito menos disponíveis para os vossos filhos. Haverá tempo em que pagarão muito mais por gente bem menos competente. E é bem possível que em certas zonas do país (não necessariamente no interior), os lugares a concurso fiquem vazios.
GAVB

4 comentários:

  1. menos bem preparados, se faz favor...

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  2. Não fogem, simplesmente são de outras terras e tb tem direito a tentar lá voltar. Em 14 anos, NUNCA ESTIVE NUMA ESCOLA em que os docentes fossem NA SUA MAIORIA naturais dessa zona. É LISBOA é o exemplo mais real.

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  3. Quem pode ir para Lisboa com um salário líquido de pouco mais de mil euros e pagar uma renda de 700 mais alimentação e transportes?!

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  4. Não é só com os professores que este fenómeno está a acontecer.Outros profissionais começam a reconhecer as vantagens de se viver fora dos grandes centros urbanos e preferirem lugares mais calmos onde já existem boas e até muito boas infraestruturas. É só aguardar uns anitos e o movimento passará a ser inverso " êxodo urbano".

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