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segunda-feira, 9 de abril de 2018

AFINAL SALAZAR GOSTAVA DE MULHERES, DE DINHEIRO E DE VIAGENS



Ao contrário do mito que criou sobre si, António Oliveira Salazar teve vários casos amorosos, cobrava bom dinheiro pelos seus pareceres jurídicos e não se coibia de viajar ou fazer comprar dispendiosas.
O ditador gostava de passar a ideia de que era um eremita, totalmente devotado à nação e sem qualquer interesse em mulheres. Nunca ter casado nem ter assumido qualquer relação afetiva eram provas suficientes, mas a verdade é outra. 


No livro de Felícia Cabrita Os Amores de Salazar a jornalista elenca oito casos amorosos vividos por Salazar: Maria Laura Campos, a astróloga Maria Emília Vieira, a viscondessa Carolina Asseca, a jornalista francesa Christine Garnier, Felismina Oliveira, Júlia Perestrelo, Mercedes Feijó e Maria da Conceição Santana Marquês. Para um asceta não esteve nada mal. Há galanteadores com menos casos.


Outra ideia muito difundida pela propaganda do regime era o pouco mundo do senhor Presidente do Conselho, pois, dizia-se, ele não gostava de viajar, já que isso custava dinheiro ao país. A verdade é algo diferente. Antes de assumir a pasta de ministro das Finanças, Salazar já tinha viajado de comboio, com o amigo Cerejeira, até Paris e gastado largo tempo por Espanha, desfrutando da monumentalidade do Prado e do Escorial.

Franco Nogueira, o seu biógrafo oficial, destrói outro mito acerca de Salazar: o de homem poupadinho. Este admirador de Oliveira Salazar diz que o ditador português gastava quantias consideráveis em fatos, gravatas e sobretudos, que encomendava num conceituado alfaiate de Coimbra.
Ora para ter tais devaneios Salazar tinha de ganhar bem e isso acontecia, porque, além do cargo de professor de Direito em Coimbra, ainda cobrava avultadas quantias pelos diversos pareceres jurídicos que elaborava a pedido do Banco de Portugal ou do Crédito Predial. Ou seja, Salazar apreciava as coisas belas da vida: dinheiro, sexo, viagens, roupas caras.


Obviamente que ele sabia que lidava com um povo pobre e inculto e por isso devia esconder este estilo de vida. A melhor maneira de o fazer era criar nos portugueses uma ideia totalmente contrário, de modo a que a sua forma de governação fosse aceite sem grande resistência. Como disse, na sua tomada de posse, em 27 de abril de 1928: “Eu sei o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.”
GAVB

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