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sábado, 17 de março de 2018

OS INGLESES, ESSES VERDADEIROS AMIGOS DA ONÇA



Portugal e Inglaterra são historicamente povos aliados e, algumas vezes, os reis portugueses pediram ajuda aos ingleses para expulsar espanhóis ou franceses. O problema é que os ingleses sempre olharam para essa aliança com sobranceria e arrogância, tratando-nos como “uns pobres coitados” a quem se pode fazer quase tudo.  Em certos momentos eles foram piores que os inimigos.

O primeiro sinal desse tipo de comportamento deu-se no final do século XIV (1380), quando o rei D. Fernando pediu ajuda aos ingleses para rechaçar as tropas castelhanas que cercavam Lisboa. Mal desembarcaram em Lisboa, os nossos queridos amigos britânicos trataram de espalhar o terror entre o pobre povo de Lisboa. 

Como muito bem refere Fernão Lopes, na sua Crónica de D. Fernando, «Esta gente dos ingleses, quando se instalaram em Lisboa, procedendo não como homens que vinham ajudar a defender a terra, mas como se tivessem sido chamados para a destruir […] matando, roubando e forçando as mulheres, mostrando tal domínio e desprezo de todos que se diria que eram mortais inimigos…»

Esta conduta obrigou D. Fernando a afastá-los para o Alentejo e a combinar a paz com Castela em condições menos favoráveis do que seria desejável.
Uns séculos mais tarde os ingleses voltaram-se a revelar-se verdadeiros amigos da onça. No início do século XIX, as tropas napoleónicas invadiram Portugal e a família real teve de fugir para o Brasil. Os ingleses foram novamente chamados a ajudar na tarefa de reconquista da soberania nacional e mais uma vez demonstraram arrogância e desprezo pelos mais elementares direitos dos portugueses. Comandados por Beresford, os soldados ingleses instalaram-se em Portugal como se fossem os verdadeiros patrões do território e o povo gemia, pois passava das crueldades do «Maneta» para as arbitrariedades dum general com o rei na barriga. Gomes Freire ainda conspirou contra o ditador inglês, mas sem sucesso. Só a revolução liberal de 1820 acabou com o martírio inglês.

Os ingleses haviam de ser responsáveis por um das mais importantes estocadas na monarquia portuguesa. No final do século XIX, o governo português desenhou um mapa cor-de-rosa, com o ojetivo de unir os territórios de Angola e Moçambique, em África. O objetivo do governo, com esse plano de conquistas territoriais em solo africano, era reabilitar o prestígio internacional da coroa portuguesa e dar um novo fôlego à monarquia, já muito acossada pelos republicanos. 
E o que fizeram os ingleses? Lançaram um ultimato ao jovem rei português, D. Carlos I, intimando-o a abandonar tais pretensões, sob pena de ser invadido pelos seus «queridos amigos». 
E Portugal, mais uma vez, cedeu. Poucos anos mais tarde, os ideais republicanos triunfaram em Portugal.
Costuma-se dizer que “De Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos”, mas a verdade é que de Inglaterra só nos chegaram verdadeiros amigos da onça.
GAVB

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