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sexta-feira, 30 de junho de 2017

OS PROFESSORES VÃO TER DE SE HABITUAR A ENSINAR SEM CHUMBAR


Hoje, “chumbar” um aluno é quase um sacrilégio. As pressões e condicionantes são tantas e de todos os lados que a maioria dos professores acaba por ceder, pois percebe que se trata já de uma batalha perdida.
O Diretor, o pai, a mãe, os colegas, o DT – todos procuram que o professor aceite transitar o aluno (ou para isso contribua), embora reconheçam que tal não é justo. E logo daqui emerge uma conclusão – todos nos empurram para uma avaliação injusta.
Era muito interessante que isto mesmo fosse explicado e assumido pelos Diretores das Escolas, naqueles discursos engalanados de início de ano letivo ou durante as distribuições de prémios, menções honrosas, diplomas, em que temos que levar com toda aquela prosápia da “escola de qualidade, rigor e excelência”. Poupem-nos!

Voltemos então à questão fundamental: os professores vão ter que se habituar a não chumbar. Pelo menos até ao 9.º ano. 
Sim, vão ter que largar esse último bastião de poder. É bom que se convençam disso rapidamente, para sofrer o mínimo possível com a transformação de paradigma que já ocorre na Escola portuguesa.
Concentremo-nos em ensinar o melhor possível, a todo o tipo de aluno (e não apenas aqueles que têm mais dificuldades), sendo rigorosos, atenciosos, objetivos. Deixemos de lado qualquer preocupação com a aprovação e retenção dos alunos porque isso já não no diz respeito. 

Assumamos a política de aprovação/retenção que o Diretor quer implementar e seremos muito mais felizes. Pelo caminho até pode acontecer que algum Diretor nos peça que algum aluno fique retido, pois será preciso credibilizar a Escola, não vão os pais pensar que na Escola do Diretor X todos os alunos passam, mas pouca gente sabe alguma coisa.
Entretanto pode ser que alguém se lembre de introduzir classificações de 1 a 20, desde o 5.ºano de escolaridade, pois não deve ter graça nenhuma ter um filho na escola, sabendo que fez o ensino básico com as mesmas notas que aquele que foi progredindo administrativamente.

GAVB

5 comentários:

  1. Noutros tempos, com uma negativa o aluno era chumbado, sem apelo nem agravo. Agora, no Ensino Básico, os alunos podem transitar, em teoria, com qualquer número de níveis inferiores a três. Quando se trabalha mais para a estatística do que para credibilizar o ensino, chega-se a esta situação. E não há sinais de que as coisas tenham tendência para mudar...

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  2. Alexandre Henriques2 de julho de 2017 às 10:23

    Concordaria contigo se o chumbo tivesse provado uma melhoria efetiva no sistema de ensino.

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  3. De facto pode não provar uma melhoria efetiva no sistema. Será que o transitar de ano não irá criar falsas espetativas nos alunos e nas famílias?

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