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sexta-feira, 30 de junho de 2017

OS PROFESSORES VÃO TER DE SE HABITUAR A ENSINAR SEM CHUMBAR


Hoje, “chumbar” um aluno é quase um sacrilégio. As pressões e condicionantes são tantas e de todos os lados que a maioria dos professores acaba por ceder, pois percebe que se trata já de uma batalha perdida.
O Diretor, o pai, a mãe, os colegas, o DT – todos procuram que o professor aceite transitar o aluno (ou para isso contribua), embora reconheçam que tal não é justo. E logo daqui emerge uma conclusão – todos nos empurram para uma avaliação injusta.
Era muito interessante que isto mesmo fosse explicado e assumido pelos Diretores das Escolas, naqueles discursos engalanados de início de ano letivo ou durante as distribuições de prémios, menções honrosas, diplomas, em que temos que levar com toda aquela prosápia da “escola de qualidade, rigor e excelência”. Poupem-nos!

Voltemos então à questão fundamental: os professores vão ter que se habituar a não chumbar. Pelo menos até ao 9.º ano. 
Sim, vão ter que largar esse último bastião de poder. É bom que se convençam disso rapidamente, para sofrer o mínimo possível com a transformação de paradigma que já ocorre na Escola portuguesa.
Concentremo-nos em ensinar o melhor possível, a todo o tipo de aluno (e não apenas aqueles que têm mais dificuldades), sendo rigorosos, atenciosos, objetivos. Deixemos de lado qualquer preocupação com a aprovação e retenção dos alunos porque isso já não no diz respeito. 

Assumamos a política de aprovação/retenção que o Diretor quer implementar e seremos muito mais felizes. Pelo caminho até pode acontecer que algum Diretor nos peça que algum aluno fique retido, pois será preciso credibilizar a Escola, não vão os pais pensar que na Escola do Diretor X todos os alunos passam, mas pouca gente sabe alguma coisa.
Entretanto pode ser que alguém se lembre de introduzir classificações de 1 a 20, desde o 5.ºano de escolaridade, pois não deve ter graça nenhuma ter um filho na escola, sabendo que fez o ensino básico com as mesmas notas que aquele que foi progredindo administrativamente.

GAVB

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O PORTO TAMBÉM VAI TER A SUA TAXINHA


Em 2014, Pires de Lima do CDS/PP ridicularizou António Costa e a Câmara de Lisboa acusando-a de criar taxas e taxinhas, sobre o turismo de Lisboa, que acabariam por matar a galinha dos ovos de ouro do turismo, de que a capital começava a tirar bons dividendos. António Costa seguiu em frente, apesar de algum embaraço.

Lisboa cobra um euro por noite, a cada turista que a visita. Um euro é uma taxinha, mas Lisboa não é Londres, Roma, Veneza, Paris, Florença, Rio de Janeiro ou Barcelona. Felizmente, a capital saiu-se bem e hoje já consegue arrecadar quase um milhão de euros por mês com a sua taxinha turística.

O Porto de Rui Moreira segue-lhe as pisadas, mas pensa numa taxa de dois euros. Acho exagerado. O Porto não é capital do país e tem uma oferta inferior, embora seja, hoje, uma cidade mais sedutor e requisitada que Lisboa.


Uma taxa turística costuma ter uma de duas funções: ou seleciona os turistas, controlando o número daqueles que podem aceder à cidade ou fá-los pagar um pouco mais por estarem numa cidade muito visitada. Ora o Porto (como Lisboa) está numa fase de expansão turística e por isso não se pode dar ao luxo de parecer demasiado guloso e oportunista. O Porto vale pela sua atmosfera peculiar e única e não pelos extraordinários museus ou obras arquitetónicas. O Porto ainda é uma cidade acessível aos turistas europeus, ainda com uma interessante capacidade de absorção de visitantes e também por isso deve saber gerir a sua imagem junto deles.

Por outro lado, Rui Moreira diz que o dinheiro arrecadado será para investir na construção de habitação mais barata para a classe média/jovem, que quer morar no Porto, mas não tem meios financeiros para o fazer. A ideia é bonita, mas lírica e eleitoralista. Se o Porto quer aumentar o número de turistas, isso fará necessariamente aumentar o preço das habitações na cidade. Além disso, os jovens casais portuenses continuarão a ganhar os salários que se praticam em Portugal e por isso terão cada vez menos possibilidade de comprar habitação própria na cidade. Como tenho Rui Moreira como uma pessoa inteligente, o melhor é mesmo não se pôr com propostas demagógicas à custa das taxinhas do turismo que o Porto também vai ter.

GAVB

quarta-feira, 28 de junho de 2017

SIRESPALHADA


António Costa, que há uma década homologou o fabuloso contrato do SIRESP (Sistema integrado de Redes de Emergência e Segurança em Portugal) acaba de afirmar, no Parlamento, que o SIRESP baseia o seu sistema de comunicação entre as diferentes zonas do país a partir dos cabos da MEO e que quando estes ardem ou são destruídos, a rede SIRESP funciona em modo local. Só não esclareceu o que era “modo local”, mas para o SIRESP quer dizer por “walkie-talkie”.  

Quer dizer, andamos nós a pagar 500 milhões de euros para, em caso de incêndio, termos à disposição um sistema de comunicações de emergência que se baseia no walkie-talkie. 
Foi isto que Daniel Sanches e Bagão Félix compraram em 2005, por mais de 500 milhões de euros, quando o país já estava de tanga, como dizia Durão Barroso? Talvez fosse um pouco mais eficaz e a culpa seja de António Costa que em 2006 conseguiu renegociar o contrato com a SLN (sim, aquela Sociedade Lusa de Negócios onde trabalhou antes e depois de ser ministro Daniel Sanches e a mesma que era a dona do BPN, esse banco exemplar que nos custou a perda dos dois salários anuais durante uns anitos), pagando um pouco menos a troco da dispensa de algumas funcionalidades do sistema.

Na verdade, o SIRESP funciona tão bem que até falha a comunicação dentro do Colombo ou do Meo Arena. Não é a primeira vez que o SIRESP falha. Em 2013, durante um forte temporal, o SIRESP esteve igual a si próprio e não funcionou, pondo em causa a atuação INEM.
Acho que todo o país já percebeu o que foi e o que é o SIRESP – uma gigantesca fraude enquanto sistema de redes de emergência e segurança, que serviu para lesar o Estado português em centenas de milhões de euros, em mais uma grande negociata, daquelas que levaram o país para o fundo.
O SIRESP já não tem solução nem préstimo e disso já nos deu todas as provas. Há mais que razões para rescindir contrato e prescindir dos seus serviços. Ficamos desprotegidos em caso de catástrofe? Nós já estamos desprotegidos, nós sempre tivemos desprotegidos... e a pagar para isso.

GAVB

terça-feira, 27 de junho de 2017

PEDRINHO SUICIDOU-SE EM PEDRÓGÃO


Certo dia, o jogador brasileiro Romário, referindo-se a Pelé (melhor jogador de futebol de todos os tempos) disse: “O Pelé calado é um poeta!” 
Por esta altura, grande parte dos militantes e simpatizantes do PSD pensam o mesmo de Passos Coelho, depois do seu líder ter dito e desdito que “houve pessoas que se suicidaram por falta de apoio psicológico, na sequência dos trágicos incêndios de Pedrógão”.
O calor até abrandou e Passos não tinha sido chamado à conversa, mas a sua inclinação para só dizer asneira é tanta que não conseguiu deixar de se suicidar. E fê-lo em grande estilo e com péssimo gosto.

Como pode ele falar em suicídios por falta de apoio psicológico sem confirmar essa informação? Como pode ele falar em mais mortes quando o país ainda não sarou as feridas de há dez dias? Que sentiu aquela gente que perdeu tudo, que viu parentes queimados pelas chamas, ao ouvir estas palavras do ex-primeiro ministro? É bom que Passos não se esqueça do lugar que ocupou, pois isso ainda é uma responsabilidade, que ele descura.
Numa altura em que o país assiste com tristeza mas sem surpresa ao jogo do empurra sobre as culpas do incêndio de Pedrógão, aprofundando a desilusão que sente em relação a quem o governa, Passos Coelho bem podia estar calado. Ou então aproveitar o tempo de antena que cabe ao líder do PSD para mostrar solidariedade, acompanhar os seus autarcas aos locais atingidos pelo fogo, a fim de perceber as necessidades daquela gente.

Quando fala em suicídios por falta de apoio psicológico insulta o sofrimento daquela gente, a coragem de muitos bombeiros que combateram para lá do limite das suas forças um fogo descomunal.
Das várias reportagens que se fizeram sobre o incêndio de Pedrógão, retenho uma, onde um autarca do concelho aludiu ao desespero de um bombeiro, que pediu que lhe dessem uma injeção para morrer. Quando Passos proferiu aquelas miseráveis palavras sobre suicídios lembrei-me desse herói sem nome e imaginei o que ele e a família sentiram ao ouvir as palavras de Passos. Provavelmente um grande nojo!


segunda-feira, 26 de junho de 2017

VÃO DESENTERRAR DALÍ


Não é uma ideia surrealista, mas a ordem de um tribunal de Madrid, que determinou a exumação do corpo do genial pintor espanhol, para  esclarecer, definitivamente, se Pilar Abel é ou não sua filha.
Há dez anos que Pilar diz ser descendente de Salvador Dali, mas até agora ninguém lhe tinha dado razão nem maneira de o provar. Hoje, a juíza María Del Mar Crespo decidiu que se desenterraria o que resta de Dalí, para saber se Pilar tem razão ou não.



Aprecio a coragem da juíza, pois sempre achei que um dos direitos inalienáveis do ser humano é Saber Quem É, quem é o seu progenitor, tenha sido ele um cobarde, um péssimo pai ou apenas alguém que nunca soube que teve aquela filha.


Pilar é um oportunista? É possível. Corremos o risco de desfazer o mito, a áurea que cerca o grande Salvador Dalí, quando o desenterrarmos e dermos com um monte desconjuntado de ossos e matéria que nos parecerá repugnante? É provável. Corremos o risco de não ser possível recolher uma prova científica e irrefutável sobre aquilo que procuramos? Não é impossível que tal aconteça. 
Apesar de tudo isto, vale a pena tentar, porque aquela mulher tem o direito de saber, sem margem para dúvidas, quem é o seu pai. Se a ciência lhe dá essa hipótese, a Lei e a sociedade não lho podem negar, apesar de todas as inconveniências e dúvidas.

Em Portugal, tudo é diferente. António Silva Rodrigues, o quinto homem mais rico do país, já faltou a seis testes de paternidade e parece que ninguém o obriga a cumprir com o seu dever perante a justiça. Fernando Pinho Teixeira, um milionário e comendador de Vale de Cambra, com uma fortuna avaliada em 180 milhões de euros, arrastou durante uma década uma querela em tribunal, mesmo sabendo ser o pai, teimando em não reconhecer como filha a atriz Marina Santiago.

Há onze anos, vários investigadores da Universidade de Coimbra viram-lhes retirada, à ultima hora, autorização para exumar o corpo do primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, porque havia o perigo de a ciência desfazer alguns mitos que a História criou. Talvez Dom Afonso Henriques não fosse aquele portento físico que os nossos primeiros livros de História nos contaram, talvez algumas certezas históricas se tornassem dúvidas…

Se a ciência nos permite escrever corretamente a História, seja ela de um povo ou de uma pessoa, ninguém deve ter o direito de o impedir, ainda que seja muito rico, ainda que a verdade seja pouco glamourosa e muito inconveniente.

GAVB

domingo, 25 de junho de 2017

REAPRENDER A ENSINAR


As aulas terminaram! A maioria dos professores está extenuada, apesar de muitos deles ainda terem exames para corrigir e algum trabalho burocrático para fazer. É assim todos os anos, mas não devia!


Agora a classe docente devia estar a preparar-se para sua reciclagem obrigatória! Formação.
Não aquela formação feita para constar e absolutamente necessária para progredir na carreira (quando isso voltar a ser possível), mas a formação que é necessária para não alargarmos o fosso para os alunos, para não cristalizarmos numa forma de ensinar que aprendemos há trinta anos.

Os alunos, as escolas, a sociedade nunca serão aquilo que queremos, aquilo que idealizamos e lutar contra isso é tempo perdido e um desgaste enorme, além de ficarmos desfasados e azedos.

Há anos que penso que a Formação é fundamental para darmos um pulo de qualidade e nos sentirmos realizados na profissão. Uma formação que nos tire o foco das aulas teóricas, que nos ensine a largar o comando da aula, que nos instrua a usar as tecnologias que os alunos usam em prol daquilo que ensinamos, que nos faça trabalhar a partir daquilo que temos e não daquilo que gostaríamos de ter (alunos, escola, colegas encarregados de educação, instalações...).


Todas as profissões foram fazendo lentamente a sua reciclagem. Hoje médicos, bancários, advogados, empresários são profissionais muito diferentes daquilo que eram há duas décadas…
 Só a classe docente se foi deixando ficar, à espera que o ME encaminhasse a Formação. Isso não aconteceu nem vai acontecer. São os professores que a têm de procurar. 
Ou então criá-la para os colegas. Entre os professores há gente que já trilhou o caminho das pedras e foi experimentado novas formas de ensinar. Algumas delas sistematizaram novos métodos e estão disponíveis para passá-los aos colegas.  É preciso requisitá-los, ouvi-los com humildade e adaptar o que têm para dizer à realidade de cada um.
Precisamos de reaprender a ensinar, para voltar a ter gosto naquilo que ensinamos, para vermos outro tipo de fruto do nosso trabalho, para não acabarmos sempre o ano letivo extenuados e um pouco frustrados.

GAVB

sábado, 24 de junho de 2017

MUSEU EUROPEU DO ANO


NOTÁVEL, DESLUMBRANTE, INOVADOR – foram três dos adjetivos encontrados pelo Fórum Europeu dos Museus para eleger o Memorial ACTe, em Guadalupe, França, como o Museu Europeu de 2017.

A decisão foi tomada no final de 2016, mas foi apenas anunciada no mês passado. O Memorial ACTe é dedicado à memória da escravatura. Apesar de ter sido concebido como um memorial, rapidamente este museu se tornou num lugar vivo, onde o visitante pode compreender como era feito o tráfico de escravos entre a Europa, África e a América, ao mesmo tempo que reflete sobre essa época tenebrosa da humanidade, em que a escravatura era parte fundamental da economia dos principais países mundiais.

Inaugurado há dois anos (Maio de 2015), o Memorial ACTe tem uma forte ligação com a comunidade local, um bairro pobre de Carénage, porque houve a preocupação de recrutar e dar formação à população local, para que esta sentisse o museu com seu.

Quem visita este Memorial não pode deixar de se interrogar sobre como foi possível o ser humano viver tanto tempo numa indignidade tão aviltante como a da escravatura, que, apesar de abolida em grande parte dos países, ainda subsiste de forma encoberta, mesmo em países desenvolvidos. 

Quando observamos fenómenos socais como o racismo, a exclusão social, as desigualdades sociais gritantes e injustificadas, a violação dos direitos humanos não podemos deixar de nos interrogar se aquilo que vemos em Guadalupe já faz mesmo parte da História.
Ainda que a alma escureça durante o tempo que passamos no Memorial ACTe, é necessário conhecer, pressentir essa dor de séculos para que ela permaneça apenas nos livros de História.

GAVB  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FINALMENTE O IAVE PEDE INVESTIGAÇÃO À FUGA DE INFORMAÇÃO NO EXAME DE PORTUGUÊS



Quatro dias e muita pressão mediática depois, o IAVE lá enviou uma participação de “uma eventual fuga de informação” no exame de Português do 12.ºano. Ontem, escrevi que provavelmente a batota ia compensar e, apesar das notícias de hoje, mantenho o ceticismo.
Só hoje, dia 23 de junho, o IAVE publicou uma nota sobre o exame de Português, porque o ruído nos jornais e redes socais é imenso. Se a sua intenção sempre foi esta, por que esperou quatro dias para fazer participação ao Ministério Público?



O MP abriu inquérito, mas creio que isso é só o início de um processo burocrático, destinado a calar a desconfiança generalizada que se instalou entre pais, alunos e professores face à idoneidade de algum(uns) membro(s) responsável(eis) pela realização das provas, pois o processo nunca estará pronto a tempo de produzir efeitos na candidatura dos alunos ao ensino superior, caso seja apurada qualquer tipo de fraude.

O IAVE e o ME pediram a intervenção do MP apenas para lavarem as mãos, pois não dão explicações convincentes sobre o caso (a que eles próprios dão relevância, pois de contrário não faziam participação ao MP), nem acho que ponderem seriamente a anulação da provação, já que não há nenhuma indicação do Ministério da Educação nesse sentido. Se os alunos tiverem de se submeter a nova prova, devia o ME alertar os discentes para essa possibilidade, a fim de os preparar psicologicamente para o facto.

Apesar de algumas informações referirem que o ME mandou que os corretores suspendessem a correção da prova entretanto realizada, não creio que se esteja perto da anulação da prova.

Aquilo que se pede a um político é que esteja preparado para tomar decisões difíceis e arriscadas, se necessárias. Neste caso, como noutros em anos anteriores, acho que o máximo a que chegaremos é admitir que “houve uma EVENTUAL fuga de informação, mas não se consegue apurar os autores da mesma”.
Hoje é noite de São João e os balões vão ficar em terra por causa dos incêndios. Há uns dias escrevi que o aeroporto Francisco Sá Carneiro parava três horas por causa dos balões. Afinal, parece que os aviões vão levantar voo, por causa dos incêndios e das mortes de Pedrógão. Sempre houve incêndios nesta altura do ano, mas foi preciso morrer dezenas de pessoas para termos todo o tipo de cuidado.

 O ME também precisa de evidências brutais para tomar decisões difíceis?
GAVB

quinta-feira, 22 de junho de 2017

EXAME DE PORTUGUÊS: SE HOUVE CRIME, VAI COMPENSAR


Já passaram mais de 72 horas sobre o exame de Português de 12.º ano e a PGR diz que ainda não recebeu nenhuma denúncia de possível fraude. Se ainda não surgiu, provavelmente não irá surgir. Nas últimas 48 horas, vários órgãos de informação fizeram eco de uma denúncia formal de Miguel Bagorro, professor, ao Ministério da Educação e ao Júri Nacional de Exames, tendo por base uma gravação áudio, com data de sábado (dois dias antes do exame), onde uma aluna aludia às matérias que seriam testadas no exame nacional de Português do 12.º ano. Para sorte dela e de todos aqueles que tiveram acesso à informação e nela acreditaram, parece que bateu a bota com a perdigota.
Se a rapariga teve acesso indevidamente a informação privilegiada será difícil de provar, pois não estou a ver ninguém do IAVE a assumir tal indignidade. No entanto, à mulher de César (ME e Júri Nacional de Exames) não basta ser séria, também tem de o parecer, e neste caso nada do que veio a público parece sério.

Fonte do IAVE disse ontem ao Diário de Notícias que as denúncias chegadas iam ser enviadas à PGR, mas hoje, à hora do fecho do expediente, nada tinha chegado. Amanhã é sexta-feira… se houvesse mesmo intenção de investigar seriamente, para admitir tomar uma posição radical (anular a prova), o caso já devia estar no MP – não está!
A maioria dos alunos não acredita na anulação da prova, embora desconfie da possível batota de alguns. Ora, esta é uma imagem de enorme fragilidade que os Ministérios da Educação e da Justiça dão aos nossos jovens. Querem que eles acreditem num estado de direito, se o seu primeiro contacto com o mundo dos adultos é feito através de uma suspeita de fraude que os pode ter prejudicado?

Muitos argumentam que as datas dos outros exames e os prazos de candidatura ao ensino superior não deixam outra alternativa que não seja abafar o caso e deixar que o interesse mediático se vire para outro lado.
Mesmo que o ME quisesse anular a prova, como a substituiria? Outra prova tinha de ser executada nos próximos sete dias, para que os professores tivessem tempo de a corrigir! Fazer valer a 2.ª chamada como primeira, está fora de hipótese, pois ela acontece um dia antes do início das candidaturas à universidade…
O sistema parece feito para que as fraudes, por mais evidentes que possam parecer ou ser, não passem de boatos!
É pena que os jovens aprendam tão cedo os truques manhosos de quem tinha obrigação de ser e parecer honesto.

GAVB

quarta-feira, 21 de junho de 2017

VENCER O CALOR SEM AR CONDICIONADO

Há uns dias ouvia uma senhora a discursar entusiasmadíssima contra o ar condicionado que não resisti a atirar-lhe, em forma de provocação: «Isso é tudo muito bonito, mas quando vives numa cidade, onde em dias consecutivos, a temperatura diurna oscila entre os 30 e 40 graus celsius e a notura raramente baixa dos 20, é difícil não pedir um ar condicionado!» A mulher não se ficou e desvendou alguns dos seus truques para vencer a tentação em noites de calor.

Tudo começa no jantar, uma sopa fria basta. Nada de comidas calóricas, pesadas e quentes. Se não gostas de sopa fria, come um gaspacho.” Como fiquei com um semblante pouco convencido, ela continuou “Depois, nada de levar computador para o quarto. Produz muito calor e aquece o ambiente com facilidade.” Concordei de imediato, até porque já o substitui pelo smartphone para grande parte das tarefas, mas não lhe disse nada, não fosse ela fazer uma adenda para telemóveis.

O quarto deve ser mantido em completa escuridão todo o dia, ou seja, janelas fechadas enquanto houver luz solar.” Ok, isso já fazia, mas não me parece suficiente…
“… Se não for suficiente, levar um pedaço de gelo e coloca-o frente a uma ventoinha! Confere à atmosfera um ar bem mais fresco.” Eu pensei que não valia o recurso a objetos elétricos, mas não se deve contrariar uma senhora e por isso deixei-a continuar.

Antes de deitar, convém também tomar um banho de água morna. Morna! Nota bem! Nada de água gelada, porque o corpo reage, tentando compensar o choque térmico!”. Eu anotei, embora não tivesse à mão nenhum bloco de notas. E ela lá foi prosseguindo…


Há ainda mais alguns truques a respeitar: dormir com os pés de fora e completamente nu!” Neste ponto grande parte da audiência concordou totalmente, mas logo a senhora desfez os sorrisos marotos: “Mas está totalmente fora de questão dormir em conchinha! Bebam um copo de água que ajuda a libertar o calor do corpo”. O calor e as ideias… Acho que a mulher escolheu mal a sequência dos seus conselhos. Não me parece que o problema do calor excessivo se resolva sem o recurso ao ar condicionado. São demasiadas restrições, demasiados apetrechos, muito truque para decorar e eu não tenho vontade em me tornar ilusionista.

GAVB

terça-feira, 20 de junho de 2017

GREVE DOS PROFESSORES TEM TUDO PARA CORRER MAL


Para amanhã a Fenprof decretou uma greve dos professores. 
Os fundamentos são conhecidos de toda a classe docente (descongelamento na progressão na carreira; condições favoráveis na aposentação; novo concurso extraordinário de vinculação de professores; definição correta do que é letivo e não letivo no horário do professores) enquanto o resto da população faz uma vaga ideia do problema.

Obviamente é uma greve aos exames, porque é a única coisa (em teoria) que fará o ME atender a algumas reivindicações dos docentes.
Professores, pais, alunos e restante população fazem questão de afirmar a sua posição face à greve dos docentes à vigilância aos exames (e não só) assim como à lealdade/união dos colegas face à luta em causa. Absolutamente inútil.

Uma greve é para incomodar e causar mossa. A dos professores adia exames, a dos médicos adia operações. Os professores têm todo o direito a lutar por aquilo que consideram justo para a sua classe, independentemente de haver classes em melhor ou pior posição, caso contrário, médicos e juízes, por exemplo, nunca podiam lutar por melhores condições salariais ou de trabalho. Por outro lado, convém esclarecer que tanto é bom colega e bom professor aquele que faz greve como aquele que não faz. Vamos deixar de fazer juízos morais sobre os outros e passar a respeitar a sua avaliação das condições da greve.
No entanto, como disse, nada disto é relevante face ao que interessa – a greve de docentes de amanhã tem condições para ter êxito? Infelizmente, acho que não. Os motivos são vários e poderosos.
Em primeiro lugar, porque a circunstância emocionalmente dolorosa que o país atravessa, por causa da tragédia de Pedrógão faz parecer tudo o resto pequeno e insignificante (e tinha de ser): exames, jogos das seleções, prisões de autarcas e altos dirigentes desportivos por corrupção, as birras de Ronaldo com o fisco espanhol, as greves dos professores,….

Em segundo lugar, temos a pouca convicção dos professores nesta greve. Entre os professores há a intuição que ela não produzirá efeitos palpáveis, até porque a Fenprof passa uma imagem de fragilidade negocial ao tentar a todo o transe um acordo com o ME para a desconvocação da greve, quase ao estilo de pedido - “deem-nos lá qualquer rebuçadinho para desconvocar-nos isto”. O ME já percebeu isso e está tranquilo na sua irredutível posição de força.

Em terceiro lugar, porque as reivindicações, ainda que justas, são facilmente rebatíveis pela tutela. Vejamos:
Vinculação extraordinária de professores? Ainda agora fizemos uma! E prometemos fazer mais, só não sabemos quando! Além do mais, o número de alunos está a diminuir… e nenhum governo vinculou tantos contratados como nós na última década.
Descongelamento das carreiras? Claro que sim. Para vocês e para todos na função pública, mas não temos dinheiro. Ainda agora estamos a acabar com a sobretaxa, imaginem! Depois virá a descida suave no IRS e finalmente o descongelamento nas carreiras, nas não agora. Não é não querer, é não poder.
Condições especiais de aposentação? Sim, reconhecemos o vosso desgaste físico e psicológico, mas não temos dinheiro para mais pensões. Além do mais, falando em desgaste, os enfermeiros têm mais e também aguentam…
Reorganização do vosso horário de trabalho? Ok, nisso vocês têm razão. Mas isso é um pormenor e não nos apetece ceder em nada. Vai ser uma derrota em toda a linha e ninguém vai reparar que nisto fomos mauzinhos…

Quando se vai para uma greve vai-se para uma luta. Devemos assegurar-nos que temos condições de ganhar ou pelo menos de não perder em toda a linha. Ora, isso não está assegurado na greve de amanhã.

GAVB

segunda-feira, 19 de junho de 2017

UM PARQUE AQUÁTICO DE SONHO E DE INCLUSÃO


Amarante tem um dos parques aquáticos mais imponentes e apetecíveis da Península Ibérica. Todos os anos milhares de pessoas procuram a cidade de Amadeo e Teixeira de Pascoaes para deslizar, em alto estilo, nos escorregas gigantes do parque da RTA.
Talvez não fosse má ideia criar condições para que TODOS pudessem aceder a esta diversão de Verão. Como podem as pessoas com deficiência usufruir do prazer das brincadeiras na água? Não podem, a não ser que vivam no Texas, na cidade de Santo António, onde este fim-de-semana foi inaugurado o Morgan’s Inspiration Island, um parque aquático totalmente adaptado a crianças com deficiência motora.

Custou 15 milhões de euros e foi pensado em função das crianças com deficiência motora e não só: dispõe de cadeiras de rodas impermeáveis para que o público não estrague as próprias; a temperatura da água é regulada a pedido para os visitantes com especial sensibilidade ao frio; as crianças usam pulseiras de alta tecnologia que as permite encontrar rapidamente caso se percam; para as crianças muito sensíveis ao ruído há áreas especialmente silenciosas; cada divertimento aquático tem uma acessibilidade incorporada.

Este magnífico projeto foi idealizado por Gordon e Maggie Hartman, um casal que se inspirou nas necessidades da sua filha, que sofre de vários problemas físicos e cognitivos. Os proprietários tiveram ainda o cuidado de adotar uma política de preços realista e acessível, porque os pais destas crianças são pessoas com altos encargos mensais com os seus filhos. Por isso, as crianças só pagam onze euros e os adultos dezassete.
Este parque existe na América, mas a ideia é facilmente adaptável a Portugal e podia ser acarinhada e desenvolvida, por exemplo, pelos proprietários do Parque Aquático de Amarante. Enquanto pensam no melhor modo de concretizar tão interessante projeto, podiam inspirar-se na política de preços da Morgan’s Inspiration Island e ajustar a sua à realidade portuguesa.

GAVB

sábado, 17 de junho de 2017

BALÕES NO AR, AVIÕES EM TERRA


Nunca um balão se sentiu tão importante! Pela primeira vez, na história da aviação em Portugal, uma largada de balões vai parar um aeroporto. As operações no aeroporto Francisco Sá Carneiro estarão suspensas durante três horas (entre as 21 horas do dia 23 de junho e a 01 hora do dia 24 de junho), por causa da tradicional largada de balões da noite de São João. Durante esse tempo nenhum avião levantará ou aterrará no segundo maior aeroporto português.
Se não é algo de inédito, deve andar lá perto. Não me lembro que uma noite de São João alguma vez tenha parado o aeroporto, mas provavelmente este é o único modo dos pilotos chamarem a atenção de quem manda no espaço aéreo português para o perigo dos drones.

Estes pássaros telecomandos tornaram-se no divertimento preferido de muita gente que acha o máximo exibir o seu brinquedo nas imediações dos aeroportos. Notícias recentes referem incidentes graves evitados in-extremis, constantes alertas dos pilotos e… um absoluto silêncio desleixado das autoridades.
Quando Fernando Medina pensou em arborizar a Segunda Circular, em Lisboa, os pilotos insurgiram-se contra a ideia, pois o corredor de árvores traria ao espaço circundante do aeroporto lisboeta milhares de pássaros, o que aumentaria o perigo para aterragem e descolagem de aviões. E essa foi uma das razões que fez arrefecer a ideia do autarca lisboeta.


Já sobre os drones não há medidas nem intenção de as tomar. E seria fácil proibi-los, nas imediações de aeroportos, mas em Portugal as medidas mais óbvias demoram demasiado tempo. Enquanto o óbvio não acontece, vamos olhando os balões coloridos de São João à espera que um drone não nos faça cair um avião.

GAVB

sexta-feira, 16 de junho de 2017

POPULARIDADE, A DOENÇA SOCIAL


Recentemente, o psicólogo Mitch Prinstein, num artigo chamado “Cracking the popularity Code”, refere que existem dois tipos de popularidade – uma que afeta mais as crianças e tende a ser proporcionada pelo reconhecimento efetivo dos outros e outra, que ocorre na adolescência, e que tem mais em conta o status (visibilidade, influência, poder).
Infelizmente, diz Prinstein, a cultura atual tirou bilhete para a pior das duas e as consequências começam a ser visíveis na vida de cada um.
Não vale a pena verberar contra a cultura do endeusamento da popularidade, ridicularizá-la, classificá-la de doença de adolescente. Seria um desperdício de tempo, esforço e falhar claramente o alvo.
A popularidade é a doença da sociedade atual porque atingiu em cheio os adultos. Aquela faixa etária entre os 25 e os 45/50, onde não é possível obter qualquer desculpa ou desconto para os nossos comportamentos.
É verdade que a questão começa na adolescência (ou até antes), se desenvolve na juventude, mas só adquire moldes profissionais na fase adulta. 


A popularidade hoje é quase tudo o que conta. Uma grande maioria antes quer ser popular que rico. Ainda que inconscientemente a popularidade transporta uma enorme sensação de juventude, sedução, influência e até poder. Quem se sente popular transmite uma grande confiança, autoestima, satisfação. O reverso da medalha é horrível: falta de confiança, tristeza, depressão. Não há meio-termo, porque ninguém é meio popular/meio desconhecido.

A popularidade tornou-se numa espécie de elixir da eterna juventude. Cada semana que passa procuramos doses cada vez mais intensas dessa sensação de felicidade instantânea. Basta ver a frequência com que mudamos de foto de perfil no facebook, em busca de mais e mais gostos, de mais e mais comentários elogiosos; ou então repararmos na profusão de fotos altamente produzidas e cuidadosamente selecionadas com que quase diariamente atualizamos o Instagram.

E como dá trabalho a popularidade! Estar sempre atento ao que está in e out, fazer um gestão cuidada do que se diz e pensa, dos eventos em que se comparece, das fotos que se publica.

É um erro crasso rirmo-nos disto ou achar que apenas acontece aos outros, que têm uma cabeça de vento. 
Partindo do princípio que todos trazemos um pouco de vaidade incorporada, talvez não seja má ideia pensarmos que se ainda somos nós que dominamos o desejo compulsivo de popularidade ou é já ele que nos domina.

GAVB 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

QUANDO PERDES NÃO TENS PRESSA DE IR A LADO NENHUM*


A não ser que seja apenas um jogo ou somente mais um jogo. Todavia a vida não é «apenas» nem tu somente «mais um» ou sequer um «jogo», porque no jogo podemos admitir perder, mas na vida não. E no entanto, perdemos… Por vezes, de maneira clamorosa e calamitosa. É nessa altura que não nos apetece ir a lado nenhum e deixamos de ter pressa. A pressa ou a vontade, quando nos des(ligam a) ilusão.

Tendemos a acreditar que não há mais balões tão bonitos como aquele que rebentou. Não é verdade! Apenas não haverá mais aquele balão, mas haverá mais balões tão ou mais bonitos… assim queiram os olhos do coração. E esses são tão teimosos como pouco inteligentes. Deixá-los! Um dia hão de cansar-se da sua miopia, especialmente se não lhe dermos toda a atenção.

Entretanto, o melhor é concentrarmo-nos na derrota com os olhos da razão. Vamos vê-la em perspetiva. (É essa a técnica que usamos com os outros e costuma resultar)
Concluiremos, então, que precisamos de tempo, mas não de ficarmos parados. Sim, não há pressa, mas apenas a necessidade primordial de continuar a caminhar, para que a vida nos traga novas ilusões que encherão novos balões. Um dia irão rebentar também ou talvez sejas tu a rebentar com eles.
Então esta derrota foi «apenas só mais uma». “Foi”… todo o pretérito deve ser perfeito.

E como chegar à perfeição? Devagar, porque temos pressa.
GAVB

* Título do primeiro romance de Dulce Garcia, subdiretora da revista Sábado

quarta-feira, 14 de junho de 2017

PINTURA PARA CEGOS


Há muitas frustrações que os cegos experimentam. Uma delas é não conseguirem viver a maravilhosa sensação da cor. 
E como a pintura explora a cor e as diferentes tonalidades de cada cor!!!
 No entanto, a pintura é também o movimento e a forma. O problema é que um museu é um local onde só se pode usar os olhos e nunca as mãos, por isso é um local desinteressante para um invisual. Era…



Recentemente o antigo fotógrafo John Olson resolveu processar pinturas em modelos 3D texturados, procurando abrir a beleza da pintura às mãos dos cegos. Ver com as mãos e com o… cérebro, porque um estudo científico provou já que os invisuais conseguem distinguir as formas com os restantes sentidos, pois o córtex visual é estimulado pelo tato.
Um rapaz cego, de 13 anos, conseguiu percebeu o celérrimo sorriso da Mona Lisa pintado pelo Leonardo Da Vinci depois de ter tateado a versão 3D do famoso quadro renascentista.
Este projeto das pinturas tácteis, a expandir-se um pouco por todo o mundo, é um passo maravilhoso no processo de inclusão na sociedade dos invisuais. 
E finalmente deixará de fazer sentido aquela máxima anunciada em todos os museus – “é para ver, mas não é para tocar”.
Agora fará mais sentido dizer, “se não podes ver, toca… e sente como é bela!"

GAVB

terça-feira, 13 de junho de 2017

CINEMA GOURMET


Apesar de ninguém o admitir abertamente, o cinema perde espectadores de forma acelerada um pouco por todo o mundo. Só o inusitado aumento do preço dos bilhetes tem permitido que as receitas vão cobrindo as vorazes despesas da indústria cinematográfica. No entanto, este truque não é sustentável por muito mais tempo e a chegada em força da Netflix ao mercado ao europeu bem como a disponibilização do streaming dos filmes mais recentes poucas semanas após a sua estreia ditarão o fim deste modelo de negócio.

Respondendo ao desafio, a Alamo Drafthouse, uma pequena cadeia de cinemas do Texas, inventou uma fórmula de atração de espectadores às suas sessões de cinema. Nas salas da Alamo não há lugares vazios e até há lista de espera.
E o que têm os filmes da Alamo Drafthouse que os outros cinemas não têm? Além do conforto das cadeiras e da qualidade do som, quem vai ver um filme na Alamo vai ver muito mais que um filme, porque a Alamo recriou o conceito de ida ao cinema, oferecendo um espetáculo total, que mistura cinema, teatro, comédia, networking.

Em cada sessão, instala-se na primeira fila o Master Pancake, que não é mais do que um trio de comediantes de rádio, que passam o filme a fazer comentários hilariantes às várias cenas e diálogos, produzem sons desconcertantes, substituem diálogos, criam uma alternativa aos momentos de silêncio, interrompem a exibição do filme e resolvem fazer um improvisado momento de comédia...
Apesar de um filme ser sempre o motivo central das intervenções, há espaços para oportunas conexões com a atualidade política, cultural ou social nacional ou local.

Claro que isto só pode ser feito por gente que conheça muito bem o filme, que não se alongue nas intervenções e saiba ser oportuno.
Obviamente que este conceito de Cinema Gourmet não é extensível a todos os filmes nem aplicável a estreias absolutas. Exige que já tenhamos visto o filme pelo menos uma vez, mas cria um mercado que julgávamos morto e atrairá muito mais gente às salas do cinema.

A ideia nascida no Texas chegará a Los Angeles daqui a um ano e estou certo que fará furor na Europa. Voltaremos a ir ao cinema para ver aquilo que temos guardado em DVD ou em ficheiros do computador, na esperança de perceber a transformação que os olhos do espetador/comentador fizeram daquele objeto artístico.
GAVB