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sábado, 18 de fevereiro de 2017

SE ME DEIXASSES SER

A nova música de Tiago Bettencourt tem tudo para olharmos para ela com o enlevo das coisas belas, delicadas, sensíveis e profundas. Sobressai claramente a letra, mas é a feliz ideia musical que Tiago criou que nos faz reparar na letra.
Tiago não escreve musical banal. As suas letras são um permanente convite à reflexão; nelas percebemos um espírito atento ao mundo em que vive e aos outros. Naquele estilo paradoxalmente calmo e intenso, Tiago já escreveu uma “Carta”, já homenageou Variações na belíssima versão da “Canção do Engate”, já manifestou a sua revolta contra os políticos corruptos que tivemos nas últimas décadas em “Aquilo que Eu Não Fiz”.

Com este single de avanço do novo álbum – Se Me Deixasses Ser -, Tiago Bettencourt aborda um aspeto essencial na relação entre as pessoas: a confiança, a entrega.
Num tempo do relativo e do medo de nos magoarmos, é muito difícil às pessoas confiarem. Ora o cantor lembra que uma vida em permanente cálculo é viver pela metade.
E o que podemos ser quando alguém confia em nós? A música diz que pode ser uma promessa, um sonho ou uma ambição.
O que nos impede de deixar o outro tentar? O medo! O medo de não resultar, o medo não ser perfeito, o medo de não ser eterno. O medo é que não nos deixa SER nem permite que os outros ajudem. Obviamente que o outro não tem artes mágicas, mas quer tentar, porque se interessa por nós. Ele quer ser “O sítio onde podes voltar”, A Casa de Permanecer”, “A Casa Para Regressar”.

Ele pode falhar? Claramente, mas os muros que erguemos em volta tornaram a nossa casa fria, solitária e sem esperança.
GAVB


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