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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS: FALA-SE DE MAIS, VIVE-SE DE MENOS

Um dos aspetos que sempre me seduziu no exercício da docência foi a possibilidade de me relacionar com muita gente: colegas, auxiliares educativos, alunos, pais.
Ao longo de duas décadas de trabalho na escola, fui ganhando uma certeza: a maneira como cada um gere os vários tipos de relacionamento, da sua vida, é fundamental para o seu equilíbrio psicológico, emocional, social. É uma gestão difícil (sempre o será), mas que paulatinamente temos vindo a tornar dolorosa.
Por que é que isto acontece, quando os nossos pensamentos se ocupam tanto dos “relacionamentos”? Encontro dois motivos: somos demasiado teóricos, somos demasiado egoístas.

Começo pelo último problema. Olhamos para os outros como se fossem peças de um xadrez, destinadas a ser manipuladas por nós. Quase sempre pensamos na melhor maneira de tirarmos o máximo partido de determinado relacionamento, sem nos preocuparmos devidamente com o outro. Ora, o outro faz o mesmo, o que resulta numa frustração dupla. Essa visão egoísta e egocêntrica de um relacionamento contradiz a essência de qualquer ligação, não deixando que nenhum tire o melhor partido da relação. 
Facilmente instala-se a desilusão. Depois virá nova tentativa, desilusão maior, incapacidade de compreender, frustração, desistência…

Associado ao egoísmo encontro o excesso de teoria. «O nosso relacionamento devia ser assim... blablá… blablá…». Cada relacionamento tem o seu tempo de descoberta, a sua história, a sua concretização. Não pode haver padrões pré-definidos, como se nós também estivéssemos programados. Não estamos! 
Cada um de nós é um ser único e irrepetível, convém lembrar... Construiremos uma relação única com os nossos filhos, com os nossos pais, com os nossos companheiros, com os nossos colegas, com os nossos amigos, se não perdermos de vista esta premissa. Tentar implementar uma fórmula ou imitar alguém será um erro crasso.

Um relacionamento não tem que ser assim ou assado, não vai lá por imposição nem decreto, mas é imperioso que se viva, ou melhor, que se vá vivendo.
Quando passamos demasiado tempo a teorizar como deve ser ou a tentar impor ao outro o nosso método ou o nosso estilo ou os nossos desejos, a relação permanece parada, mas o tempo avança.
Os dias, meses, anos que passaram… passaram; são irrecuperáveis. Mais importante que lamentar o passado, diagnosticar doutamente, pela enésima vez, o que correu mal, talvez não fosse má ideia começar a dar corpo à coisa. Pode não ser tão espetacular como imaginámos, mas será, certamente, muito mais real.

Gabriel Vilas Boas 

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