Etiquetas

domingo, 27 de novembro de 2016

OS PROFESSORES TRABALHAM BEM MAIS QUE O SEU HORÁRIO? MUITOS ALUNOS TAMBÉM!

Por esta altura do ano, alunos e professores andam embrenhados na realização e correção dos testes.
Quando alguém lembra aos professores o magnífico horário que têm, eles apontam para épocas do ano como esta, em que têm de corrigir centenas de testes, em poucos dias, ao mesmo tempo que cumprem o seu horário letivo e não letivo. São tempos duros, extenuantes, em que todos têm a sensação que trabalham bem para além da conta.

No entanto, esta sobrecarga não é apenas para os professores, mas também para os alunos!! Ok, não é para todos… aqueles que não investem na sua formação como deviam parecem andar flauteados, mas há muitos outros que estudam horas e horas, preparando-se para os testes. 

O que mais me intriga é que os seus professores, apesar de sistematicamente apelarem ao estudo parecem esquecer o horário dos pequenos. São 32 horas para crianças de 10/11 anos e mais de 35 para crianças de 13 anos. Quase todas elas têm aulas, desde as 8.30 às 16.30, todos os dias da semana. Chegam a casa uma hora depois e terão disponibilidade mental e física para 90 a 120 minutos de estudo!

Como querem os professores que os alunos tirem boas notas (nível 4/5), quando marcam testes à 2.º feira e à 3ª feira e à 4ª feira da mesma semana, ao mesmo tempo que os seus colegas marcam para esses dias trabalhos de casa que demoram 60 a 90 minutos a realizar? E ai do aluno que não traga todas as perguntas do TPC feitas! De nada lhe adianta dizer que tinha teste de História naquela manhã. O professor de Inglês, Francês ou Português não quer saber. Tinha marcado “10 vezes o verbo «avoir»” e o estudo para o teste de História não é da sua conta.


Timidamente algum aluno aproxima-se do professor e pede-lhe para alterar o teste de 3.ª feira para 6.ª feira. A resposta é quase sempre “Não! Já marquei o teste há muito tempo, agora não vou desmarcar! Tens mais testes? Estuda no fim-de-semana! Olha, os teus colegas não se queixam!”

Realmente não se queixam, pois as suas expectativas são tão baixas que deixaram de se queixar, de se preocupar e de estudar. E quem quer estudar convenientemente? Resposta pronta do professor: «Tem que estudar com tempo, com antecedência!» Na verdade nem isso pode. Entre o fim dos primeiros testes e o começo dos segundos não passam duas semanas. Há disciplinas em que o essencial das matérias a avaliar se concentra nas últimas aulas antes do teste.

Muitos professores sabem disto muito bem, mas assobiam para o lado, até porque a maioria só quer “passar de ano” e “uma positiva baixa” está sempre ao alcance da maioria dos alunos. Mas é mau remedeio.
O horário de um aluno estudioso e cumpridor, durante a época de testes, vai bem além das 50 horas semanais. É o aluno que é submetido a avaliação e este não pode fazer como o professor, executando o teste noutro dia mais conveniente, porque “não foi possível acabar o estudo a tempo”.
Estou cada vez mais convencido que algumas más notas dos alunos começam também na maneira como os professores os enchem de TPC nas semanas dos testes e como não mostram abertura para fazer pequenas alterações às datas inicialmente acordadas para as provas. Isto acontece sobretudo com os alunos mais novos, do 2.º ciclo, que, por vergonha e medo, não manifestam muitas das suas angústias.
Está na altura de muitos professores olharem além do seu umbig(h)orário!
GAVB

Sem comentários:

Enviar um comentário