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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

E O TELEMÓVEL SALVOU A AULA


Iniciado o estudo de uma obra de leitura obrigatória, há duas aulas, um professor e uma turma de 9.ºano viram-se com um problema inesperado: os livros requisitados na Biblioteca, com 48 horas de antecedência, foram levados, por outro professor, para outra escola do agrupamento.
Surpreendido por este imprevisto, o professor vê grande parte da sua planificação de aula abortada pela inexistência física da obra em estudo. Gera-se um impasse; os alunos lamentam a descortesia de que foram vítimas, o professor decide inovar e pergunta:
«Trouxeram os vossos telemóveis?»

A escola proibira o uso dos telemóveis e os alunos acanharam-se na resposta, mas rapidamente perceberam a intenção do professor e timidamente lá fora respondendo «Sim, trouxe!»
Em poucos minutos, todos os alunos da turma tinham ligado os seus smartphones à net, acedido à versão online da obra e retomado a leitura orientada da mesma.
Os telemóveis são uma ferramenta dos nossos dias. Nem diabo nem remédio santo, apenas uma ferramenta que pode ser usada por professores e alunos, com inteligência e parcimónia.

Os professores não devem desprezar ou proibir aquilo que dominam mal ou têm receio de ser usado como fator desestabilizador ou causador de problemas.
A proibição do uso do telemóvel pelos alunos não afasta este aparelho do recinto escolar nem devemos encarar o uso do telemóvel na escola segundo aquele prisma “Se não consegues vencê-lo, justa-te a ele!”, porque não é disso que se trata. O telemóvel, por si só, não é mau nem bom, mas tem enormes potencialidades escolares, a começar pela enorme “estima” que cada aluno tem pelo seu.

Há imensas tarefas escolares/exercícios de aplicação de conhecimentos que os alunos podem fazer no telemóvel. Apesar de muito custar aos professores admiti-lo, o simples uso do telemóvel motivaria muitíssimo os alunos.
Claro que é difícil monitorizar um uso adequado do telemóvel se não o sabemos usar, mas esse não é um problema dos alunos. Provavelmente, eles diriam com inegável gozo:
«O professor não se dá com o telemóvel? Tem que estudar mais; fazer os trabalhos de casa que lhe recomendei; ser persistente; não desistir à primeira dificuldade.»

Gabriel Vilas Boas

4 comentários:

  1. Concordo plenamente.
    Acho ridículo haverem escolas a proibir o uso de telemóveis.....
    Tem é de haver uma utilização responsável e até pedagógica.

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  2. Eu uso por vezes para avaliar os alunos com ferramentas como o Khaoot.it (https://create.kahoot.it/#login?next=)
    ou o Quizizz (https://quizizz.com/)https://setepecadosimortais.blogspot.com/logout?d=https://www.blogger.com/logout-redirect.g?blogID%3D357750665312024987%26postID%3D3608124010447042000

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  3. Eu concordo com a utilização dos telemóveis ou tablets dentro da sala de aula, para fins pedagógicos exclusivamente. Mas antes disso é necessário haver uma consciencialização de toda a comunidade escolar para tal. Também não entendo, porque é que nos dias de hoje, é necessário os alunos andarem com as pastas carregadissimas com os manuais escolares. Os manuais deviam ficar em casa para os alunos estudarem e nas aulas o professor deveria recorrer às tecnologias que tem ao seu dispor. Não sabe usar. Tem que fazer formação para aprender.

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  4. Já fiz o mesmo e resultou muito bem. Os alunos têm é de saber distinguir o momento pedagógico do momento de lazer. O facto de se utilizar, por vezes, esta ferramenta pode até ser um incentivo para outras leituras em casa que não se fari porque não há livros.

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