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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A CULTURA DO MEDO


O medo nasce mais da ignorância do que da falta de coragem. 
Umberto Eco explicou isso no seu “Em Nome da Rosa”, mas o medo não desapareceu, apesar de sermos cada vez mais cultos. Pelo menos temos uma cultura académica, temos muita mais informação, mas não temos, notoriamente, mais sabedoria. E o medo entra por esse longo túnel de escuridão pessoal.

A sabedoria é a aplicação corajosa de tudo o que aprendemos e conhecemos ao nosso Eu, assumindo um quadro de valores e opções ditados pela nossa consciência.

Dir-me-ão que assumir opções (como opiniões) implica coragem; de acordo, mas se não tivermos coragem para assumir o que gostamos de ser, não temos de aceitar aquilo que os outros querem que sejamos. E essa opção é muito pior.
Enfrentar o medo é assumir as consequências da liberdade. Há tantas pequenas/grandes decisões em que ter medo é incompreensível.
Medo de falar, medo de confrontar, medo de discordar, medo… rapidamente se transforma em medo de viver. 

Na verdade, os outros, os terríficos, não destruirão a vida por lhes dizermos “Não”. É verdade que nos vão ameaçar, chantagear, retirar cargos, diminuir salários, deixar de nos falar… mas apenas porque lhe passamos o “medo” para as mãos. 
Quando deixamos de ter medo de assumir o que pensamos/ o que queremos (por muito errado que isso possa ser e, às vezes, é) obrigamos o outro a ser convincente ou então a aceitar as nossas razões.
Obviamente que pode não aceitar e não ter razão nenhuma, mas deixará de poder usar o medo como arma de persuasão.
O medo é uma prisão sem grades; uma espécie de teia de aranha gigante que nos constrange a alma e nos deixa infelizes.
Ainda que a vitória sobre o medo nos conduza a uma parede chamada “derrota” ou “erro”, ficaremos sempre com a certeza que os outros ganharam porque foram melhores.

Gabriel Vilas Boas 

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