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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OS ALUNOS SÓ SE PORTAM MAL COM OS PROFESSORES MAIS VELHOS?


Claro que não. Os alunos não fazem esse tipo de distinção perversa: eles portam-se mal ou bem com todo o tipo de professores: os mais velhos, os mais novos, as mulheres, os homens, os efetivos, os contratados, o que estão na escola há décadas, o que chegaram na semana passada…

A única verdade do estudo sobre indisciplina, de que alguns órgãos de comunicação social fizeram eco, é que os professores mais velhos se queixam mais da indisciplina dos seus alunos do que os professores mais novos. E não é fácil perceber as razões. 

No meu ponto de vista, a primeira e mais importante razão é que a maioria dos professores mais antigos tem uma noção mais rígida de indisciplina que os professores mais novos. Há determinados comportamentos, atitudes, palavras que um professor com trinta anos de casa não tolera a um adolescente, apesar de este não o ter feito com intenção ou não ter consciência da gravidade ou má criação que esse gesto, palavra, atitude constituiu para o seu professor.

Há também que considerar o cansaço, o desânimo que invade os professores seniores. São muitos anos de expectativas frustradas, muitas situações de indisciplina vividas, muitas angústia e tristeza acumuladas com injustiças cometidas sobre eles, com agressões verbais e faltas de consideração por parte de alunos, pais, colegas, órgãos diretivos, ao longo de vários anos. Ao fim de décadas de ensino isso produz o seu efeito no modo com toleram ou não os comportamentos irreverentes dos alunos.


Convém ainda recordar que quanto maior é o afastamento etário entre professor e aluno maior é a diferença de mundividência e maior a incompreensão face ao outro. O professor mais velho tem mais dificuldade em entender as atitudes dos alunos como irreverência própria da idade, achando-as à partida indisciplina grosseira, como os jovens não fazem qualquer esforço em perceber que aquele professor mais antigo foi educado com outro código de conduta na escola e portanto a sua noção de disciplina é mais rígida. Quando ninguém se esforça por entender o outro, o choque é mais rápido e violento.

No entanto, tudo isto que acabo de referir não deve tirar o foco do essencial: a indisciplina na escola é um fenómeno transversal a todo o tipo de professor. A generalidade das atitudes de indisciplina são-no assim entendidas por todos os professores. Claro que as escolas, os professores, os pais devem engendrar estratégias que façam diminuir a violência nas escolas portuguesas, mas convém não ignorar o principal: o maior erro é de quem é violento e malcriado. Se esse não mudar radicalmente de atitude não há estratégia que se salve nem professor que esteja a salvo.

GAVB  

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