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sábado, 27 de agosto de 2016

HOTÉIS QUE PROÍBEM CRIANÇAS


Quando comecei a deparar-me com esta realidade, a minha reação inicial foi muito negativa. Com que direito um hotel proíbe o acesso a crianças? Que fizeram elas de mal? Apesar de achar a medida a todos os títulos lamentável, discriminatória e atentatória dos mais básicos direitos de qualquer cidadão, procurei perceber as razões de quem impunha essa medida.
Em primeiro lugar, fiquei a saber que esta interdição a menores, por parte de determinadas unidades hoteleiras (muitas delas de topo), era uma “imposição do mercado”, ou seja da clientela, e não uma maldade dos seus proprietários. Seriam então, esses clientes anti crianças? Por que manifestavam o seu desagrado com os petizes nos hotéis que frequentavam? A razão mais invocada é a confusão causada pela pequenada pelos corredores do hotel, na sala de jantar, na piscina, no bar e outros espaços comuns.

Claro que há crianças e crianças e tendemos a achar que as nossas são uns amores e as do vizinho da mesa ao lado uns autênticos terroristas, capazes de brincar ao esconde/esconde debaixo de nossa mesa de jantar ou de usarem a piscina para um lamentável concurso de quem dá o chapo mais estridente da tarde. Muitos pais são incapazes de corrigir os seus filhos ou de os repreender, quando é evidente quanto incomodam os restantes clientes.
Há ainda que ter em conta que a presença de criança inibe (ou devia inibir) alguns comportamentos sociais por parte de determinados clientes, que ficam desagradados com a presença pouco discreta da pequenada.
Como referi anteriormente, há crianças e crianças. Muitas delas são de uma educação e discrição exemplares. Além disso, estão perfeitamente familiarizadas com as regras de convivência em unidades hoteleiras, de modo que a sua presença não causa qualquer incómodo ou constrangimento. Proibi-las é uma medida desnecessária e uma péssima publicidade para o futuro, porque daí a alguns anos serão elas a escolher o hotel onde ficar e não escolherão, por certo, aquele que os excluiu.
Embora entenda a política de determinados hotéis, continuo a achar negativa a política da «proibição». O melhor seria um conceito algo diferente – Recomendado / Não recomendado. Quando os pais procuram um determinado hotel para a sua família deviam ser informados antecipadamente que o hotel era “recomendado” ou “não recomendado” para crianças e tirar daí as respetivas ilações. Não é bom forçar a estadia num local que supostamente não é recomendado para nós, mas é ainda muito pior ver-se excluído por ser criança, até porque a função principal de um hotel ainda é garantir dormida, ou seja, algo que se faz de modo privado.

Gabriel Vilas Boas 

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