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domingo, 3 de julho de 2016

RAMALHO EANES - UM HERÓI DO PORTUGAL DEMOCRÁTICO



Hoje, quando falamos de políticos, a palavra herói parece-nos completamente despropositada. A ação dos políticos em Portugal, nas últimas décadas, apenas tem envergonhado a população, causando-lhes constrangimentos e sofrimentos, por via dos vários casos de corrupção, compadrio, má gestão da coisa pública, completa impreparação para os desafios da ação governativa.
Recentemente, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, através de singelas mas merecidíssimas homenagens chamou-nos a atenção para figuras recentes da vida pública que merecem o nosso respeito, a nossa admiração, o nosso aplauso. A propósito da comemoração dos 40 anos da aprovação da Constituição da República (1976), Marcelo prestou uma justa homenagem a Ramalho Eanes. Eanes foi o primeiro presidente da República eleito por sufrágio universal, direto, em eleições verdadeiramente livres.

Eanes soube ser merecedor dessa honra. Proveniente do meio militar, percebeu claramente o momento histórico que era chamado a interpretar, defendo os valores fundamentais da democracia, mostrando-se verdadeiramente independente dos partidos que o apoiaram, mantendo os militares como salvaguarda da democracia e da liberdade e não como atores políticos.
Quando, em 1986, deixou Belém, Ramalho Eanes recolhia um grande respeito de todos os portugueses, apesar de aqui e ali terem discordado da sua ação. Esse respeito provinha da maneira íntegra como atuou, dos esforços que fez para apaziguar as tensões sociais num país que vinha de um revolução, do modo como normalizou e disciplinou as forças armadas.
Ramalho Eanes soube honrar o 25 de Abril, respeitar a essência da Constituição de 1976, manter uma postura ética e patriótica, sem se pôr em bicos de pés, sem quer ser o herói transcendental. Vinha para cumprir uma missão e cumpriu-a exemplarmente. É curioso que poucos o evoquem como um farol, mas só tinham a ganhar com isso.

Gabriel Vilas Boas.

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