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terça-feira, 31 de maio de 2016

MUSEU NACIONAL DE ARTE ROMANA - MÉRIDA, de Rafael Moneo


Dez antes de receber o Prémio Pritzker, o arquiteto espanhol Rafael Moneo inaugurava a extraordinária peça arquitetónica que é o MUSEU NACIONAL DE ARTE ROMANA, em Mérida, provavelmente a cidade do Império Romana melhor preservada da europa ocidental.
Quando foi convidado pelo governo espanhol para projetar este museu, Rafael Moneo era um arquiteto renomado pela fama que obras como o edifício Bankinter, em Madrid, lhe deram. A ideia era substituir o museu existente em Mérida e que datava de 1938.


Moneo projetou um edifício elegante, que procurava combinar modernidade e história, numa simbiose perfeita. O elemento fundamental da estrutura museológica criada por Rafael Moneo são os arcos. 
Os arcos são um elemento fundamental do império romano. Constantino e Tito construíram-nos para comemorar as suas vitórias militares e Moneo trá-los para a entrada do seu MUSEU NACIONAL DE ARTE ROMANA, para lembrar toda a grandiosidade e triunfalismo dos Romanos.


O Museu situa-se numa elevação, mesmo em frente ao imperial teatro romano de Mérida. 
Os vários espaços do Museu estão articulados por uma série de arcos crescentes de tijolos, transmitindo ao visitante uma sensação de modernidade surpreendente. 
Depois de entrarmos no Museu, um corredor central de arcos propõe-nos uma primeira escolha: subimos aos andares superiores para vermos a parte das exposições ou descemos à “cripta”, enterrada no solo, para apreciar a vertente arqueológica do projeto de Moneo. 
Por entre os arcos, a luz natural, quente e silenciosa de Mérida relaxa o visitante e guia-o na sua primeira opção.

Comecemos pela cripta, situada abaixo do nível do solo. Ela mergulha o visitante numa espécie de evocação da era romana intocada, como se descêssemos à “cidade velha” onde a arqueologia se exibe em simultâneo com a sua réplica arquitetónica.
Regressamos aos andares superiores e vamos apreciando as aveludas paredes. 
Paredes, colunas e arcos são feitos do mesmo material, mas a aparência está longe de ser monótona. Moneo criou belíssimos “retalhos de ouro” em pequenos nichos incendiados de um vermelho fogoso dado pela sobrecarga de uma iluminação dramática. É no controlo cuidado da luz que Moneo deixa a sua marca indelével no melhor Museu de Arte Romana da península ibérica. 
A luz contraste com a placidez fantasmagórica das antiguidades em exposição.


Nas paredes destaca-se ainda a textura dos seus elementos verticais. Neles Moneo articula perfeitamente História e modernidade através de “empréstimos” de elementos históricos, contemporizando-os.
Os arcos-triplos unidos aludem à alvenaria do teatro romano mesmo ali em frente ao edifício do Museu, envolvendo a totalidade do espaço arqueológico num diálogo contínuo que os arquitetos sempre gostam de criar. Os tijolos têm precisão rítmica e são bem dimensionados, como que evocando uma sensação de requinte tão próprio dos projetos deste arquiteto espanhol.
No entanto, há algo de atemporal que paira sobra a simplicidade das estruturas: as formas e os materiais não pertencem nem ao presente nem à História. Isso permite que o projeto de Moneo se afirme como algo acima do tempo, como convém a qualquer museu arqueológico moderno.
Esta interação entre novo e antigo existe até ao nível mais conceptual do museu. Por exemplo, no Museu-cripta, a escavação da antiga cidade está ritmicamente pontuada por uma grade-coluna que suporta as estruturas superiores, evidenciando duas condições históricas diferentes. 
Perto dali, uma estrada romana completa segue o seu caminho pelo meio do museu (qual leito de um rio) rompendo com a ortogonalidade do projeto-Moneo.
A construção de um túnel subterrâneo envolve os visitantes, conduzindo-os diretamente ao teatro romano, fazendo-os sentir-se nos grandiosos tempo de Emerita Augusta. 
É claro que a inserção destes elementos, por parte do premiado arquiteto castelhano, só é possível dadas as condições únicas do local.
Como alguém escreveu, O Museu de Moneo em Mérida é “auto consciente do seu propósito” – exposição do passado antigo da cidade. Nele, a arquitetura procura “apenas” dramatizar as realizações da cultura romana. Moneo consegue isso através de uma magistral combinação de história e modernidade, onde a luz criada dentro do Museu pelo arquiteto parece transportar-nos aos gloriosos tempos do Império Romano.
Gabriel Vilas Boas  

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