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quarta-feira, 30 de março de 2016

SUITE FRANÇAISE - UMA HISTÓRIA DE AMOR IMPOSSÍVEL?




Há cerca de um ano estreava nas salas de cinema portuguesas “Suite Française”, um drama romântico de Saul Dibb, cujo argumento se baseou na obra homónima de Iréne Némirovsky. O filme coloca-nos na França ocupada pelos nazis, nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial e relata-nos uma história de amor entre uma residente francesa e um jovem soldado alemão.

Lucille Angallier (Michelle Williams) aguarda por notícias do marido (destacado para a frente de combate contra os nazis), na companhia da sua sogra (Kristin Scott Thomas), quando um regimento alemão chega à pequena cidade francesa onde vivem e resolve ocupar as casas dos moradores.
Por entre a brutalidade insensível dos soldados alemães que faziam questão de humilhar os franceses, abusando das suas mulheres e usando-as para satisfazer os instintos sexuais, emerge a figura do comandante Bruno von Falk, um jovem soldado alemão que se instala em casa de Lucille e a cativa pela delicadeza do trato, pelo respeito com aborda os subjugados e sobretudo pela música delicada e desconhecida que vai compondo ao piano.

A música é um elemento fundamental de todo o filme, pois serve de metáfora à personalidade do protagonista alemão e cria uma atmosfera sensível e subtil, que transporta o foco do filme da guerra para uma história de amor triste e condenada ao insucesso.
Lucille e Bruno são dois jovens adultos sensíveis que se apaixonam, mas cujo amor é esmagado pelas botas de guerra e das circunstâncias cruéis do seu encontro. Ao concentrar-se nesse amor perdido, o realizador traz o romance até nós, dando-lhe autenticidade.
Ao ver “Suite Française”, não pude deixar de pensar que nem sempre o omnia vincit amor, mas não é por isso que ele é menos intenso ou desaparece.

Não deixa de ser curioso pensarmos sobre as barreiras que se levantam contra o amor de Lucille e Bruno: a guerra; a pertença a povos inimigos que se combatiam ferozmente; os papéis que deviam representar; a imoralidade de serem os dois casados e por consequência deverem fidelidade aos seus companheiros. Apesar desse estado civil não ter impedido que se apaixonassem, o argumentista veio em defesa da moralidade de ambos os protagonistas ao fazer Lucille descobrir que fora traída ainda antes da guerra começar enquanto Bruno não chegara a sentir o casamento, pois levava tantos anos de serviços militar quantos de casamento. Foi uma proteção desnecessária. Eles apaixonaram-se, apesar de tudo o resto e nesse “tudo o resto” incluía-se o facto de serem casados. As circunstâncias derrotaram-nos, não o sentimento de culpa.
Serão sempre as circunstâncias assim tão poderosas? Muitas vezes são-no, mas também é verdade que não estamos muito habituados a vencê-las ou até a dar-lhes luta.

GABRIEL VILAS BOAS

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