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sábado, 16 de janeiro de 2016

TAKE ME TO CHURCH, de Hozier


TAKE ME TO CHURCH deu a conhecer o irlandês Hozier ao mundo. Nos últimos dois anos as rádios do planeta têm tocado este belo tema do jovem irlandês que em 2014 merecia ter ganhado o prémio de melhor canção do ano.
Take Me To Church foi arrancada às entranhas do cantor, pois Hozier admitiu, numa das entrevistas em que falou sobre este tema, que escreveu a letra depois do rompimento amoroso com a sua primeira namorada, em 2013. Através de uma metáfora, Hozier compara um amante com a religião, sugerindo a força e humanidade do Amor em contraposição com a hipocrisia da Igreja Católica.

Logo no início da música, o cantor começa por elogiar a coragem da sua namorada que ri inconvenientemente nos funerais e recolhe a reprovação de todos. Lamentando não a ter venerado mais cedo (ela era o seu paraíso, a sua igreja, a sua religião), Hozier foca a sua atenção na crítica à hipocrisia da Igreja Católica, ou não estivéssemos a falar de um irlandês, para quem culturalmente a questão religiosa é sempre determinante.
Tendo aprendido à sua própria custa que amar é, em certo sentido, uma morte e um renascimento, Hozier não pode aceitar que a Igreja fale em Amor como um valor primordial e absoluto e depois condene o amor homossexual. 


Como explicou numa entrevista ao “New York Magazine”, a sexualidade e a orientação sexual (independentemente da orientação) são coisas naturais, profundamente humanas e por isso ele não pode conceber que uma organização tão preponderante como a Igreja Católica declare que o amor entre dois homens é um pecado que ofende a Deus.
Como é fácil de perceber, Take Me To Church não é apenas mais uma canção entre tantas outras. A profundidade dos temas suscitados pela sua letra obrigam-nos a considerá-la mais além do mero entretenimento e elevam a consideração de Hozier no panorama artístico musical.

Frustrado e irritado com o mundo hipócrita em que cresceu, Hozier escreve uma canção sobre a afirmação de si próprio e da recuperação da sua humanidade através de um ato de amor. Não um amor teórico e ideal, mas um amor tangível, experimentado, que valha a pena ser vivido.
Take Me To Church não é um ataque à religião, mas à hipocrisia da Igreja Católica que se cala perante a homofobia desenfreada, reinante em muitos países, como por exemplo acontece na Rússia.

Canção de amor, de afirmação pessoal, de denúncia da hipocrisia da Igreja Católica e de crítica da homofobia, TAKE ME TO CHURCH pretende abanar consciências e colocar novamente a música na vanguarda da transformação social, mental e cultural.
Gabriel Vilas Boas 

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