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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

UMA AVENTURA NO FAROL




Há anos que tinha o objetivo de visitar um farol, mas as várias tentativas que fiz foram-se frustrando, pois os faroleiros só abrem as portas da sua fortaleza durante umas horas por mês. Durante o verão, uma vez por semana…

Quando cheguei à praia da Barra, em Ílhavo, deparei-me com uma fila com mais de uma centena de pessoas e a incerteza quanto à realização da visita. Decidi esperar e ao fim de uma hora estava pronto para iniciar a subida dos 271 degraus (depois ainda havia mais duas pequenas mas íngremes escadas de ferro) até ao topo do segundo maior farol da península ibérica e um dos vinte e cinco mais altos do mundo.
Quando foi inaugurado (15-10-1893), o farol da Barra estava entre os seis mais altos faróis do planeta construídos em alvenaria, no entanto só meio século mais tarde passou a ser eletrificado.


Um dado curioso que aprendi, ontem, com o faroleiro é que todos os faróis são diferentes entre si. Quem avista do alto mar um farol sabe perfeitamente de que farol se trata pela pintura exterior e, sobretudo, pelo número de fachos luminosos brancos que emite, conjugado com o intervalo de tempo em que a sequência se efetua. O farol da Barra emite quatro fachos luminosos brancos consecutivos a que se segue um período de ausência de luminosidade. Este processo demora treze segundos e repete-se ininterruptamente desde que a luz do farol se acende até que se apaga, ou seja, desde que o sol se põe até à alvorada.
Quando cheguei ao topo, pude confirmar toda a beleza e imponência da vista sobre a luminosa ria de Aveiro, sobre a cidade dos ovos-moles, ao longe, e, especialmente, sobre o longínquo horizonte atlântico, donde chegava um navio de carga e para onde outro partia.

Em condições ótimas de visibilidade, o farol pode ser avistado a cerca de 23 milhas náuticas, ou seja, 42,5 quilómetros! Impressionante.
Demorei alguns minutos a saborear a vento que penetrava no meu corpo, misturado com o calor saboroso dum sol com sono. Por momentos, imaginei a solidão e a lonjura do grande oceano, que em noites escuras e tempestuosas se transformam em terrível medo, que só a luz angelical dum farol consegue sossegar.
Gabriel Vilas Boas



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