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terça-feira, 25 de agosto de 2015

QUINTA DA BACALHÔA







Depois de duas semanas de férias ao sol, uma paragem nas margens do sábado desafia-me a subir a bela serra da Arrábida e a atravessá-la de devagar, usufruindo de recortes de natureza únicos.
Entretanto o carro seguiu viagem e só parou em Azeitão, diante da majestática, nobre e monumental Quinta da Bacalhôa, onde agora habita o senhor comendador Joe Berardo.
Não tinha planeado visitar este monumento nacional, que outrora pertenceu à Casa Real Portuguesa. Desde do século XV, o famoso Palácio da Bacalhôa teve proprietários ilustres como o filho de D. João I ou o primogénito de D. Afonso de Albuquerque. É da época dourada da História de Portugal que datam os lindíssimos azulejos que me deixaram de boca aberta assim como as janelas de estilo renascentista.

Todavia, antes da visita ao Palácio, comecei a visita (guiada) pelo Museu da Bacalhôa, onde Joe Berardo já deixou o seu cunho pessoal. Foi lá que pude ver uma excecional exposição sobre África, onde Berardo deixa perceber a sua ligação a África, lado a lado com outro sobre Art déco, que revela o lado de colecionar do comendador. No meio fica a imponente adega, cheia de centenas de barricas de alguns dos melhores vinhos portugueses: o excelente vinho da Bacalhôa estagia em barricas de carvalho francês lado a lado com o memorável moscatel de região. Estava aberto o apetite para uma prova de três vinhos, antes de seguir viagem até ao Palácio da Bacalhôa, onde os caseiros nos esperavam para uma visita guiada especial, pois já estávamos fora de horas.

A simpatia da senhora surpreendeu-me bastante. Com paciência e sapiência guiou-nos sala após sala do piso inferior do Palácio, onde as abóbadas ogivais nos lembram os cinco séculos do edifício e os azulejos recordam que o outrora Palácio dos Albuquerques tinha o justo estatuto de tesouro artístico de Portugal. Durante mais de uma hora percorri salas magníficas, um jardim trabalhado e decorado com o rigor de um geómetra, onde o nome da antiga proprietária Orlena Scoville estava inscrito e caminhei por entre as vinhas, onde Berardo e família fazem anualmente a sua vindima privada, numa festa imensa que celebra a vida, a amizade e o vinho. Ao que parece, no final, acabam todos na deslumbrante piscina do lago.

Eu, por mim, ficava ainda mais uns minutos sentado numa daquelas poltronas da casa da Justiça, que fica sobranceira sobre o lago, admirando a extensa vinha madura. Se lá tivesse um copo do saboroso tinto da Bacalhôa seria excecional…

Gabriel Vilas Boas  

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