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quinta-feira, 23 de julho de 2015

ANSIEDADE, de Edvard Munch

Esta obra de Edvard Munch pode ser comparada ao Grito, famoso quadro do mesmo autor e pintado um ano antes, em Berlim. Quer os fiordes de Kristiania (Oslo), que se desenham ao longe na paisagem quer a angústia, que impregna toda a obra, através de algumas linhas tensas que desenham rostos cadavéricos, confirmam essa ligação entre estes dois quadros de Munch.
E o que podemos ver neste óleo de 1894 com um título tão sugestivo da personalidade deste pintor?
O quadro parece retratar uma procissão fúnebre, visto que todos os membros do grupo estão vestidos de negro e dispostos em fila, mas também podemos estar perante uma alegoria da vida, simples caminho para a morte, segundo Munch.
Os rostos pálidos e magros, com enormes olhos redondos, são característicos da pintura expressionista do criador norueguês, um dos grandes percursores desta corrente, conjuntamente com Van Gogh.
As cores são dissonantes e estão dispostas de forma diluída, como se a pintura se fosse desintegrar.
A tensão e a tragédia impregnam a cena, que expressa de forma clara o sentimento de angústia, tantas vezes sentida pelo autor de O Grito.

O céu de Munch, executado através de linhas nervosas, onduladas e empastadas relembra-nos, embora com outras tonalidades e outro ritmo de pincel, os céus de Van Gogh, também profundamente em empatia com o estado nervoso do artista.
Esta obra de Munch causou grande escândalo em Berlim e chegou a ser acusada de ser um “insulto à pintura”. Os críticos não entendiam a sua dissolução da forma e a estridência da sua cor. Todavia, o chamado “caso Munch”, trouxe fama ao pintor e proporcionou-lhe o contacto com o marchand Edouard Schulte.
Para observarmos de perto esta obra magnífica temos de nos deslocar a Oslo, mais propriamente ao Munchmuseet, que é como quem diz Museu Edvard Munch, onde podemos apreciar não só obras de Munch como ver exposições de fotografia, assistir a uma peça de teatro ou ver um filme. Se um dia passarem por Oslo, é “obrigatório” uma paragem neste museu.
 Gabriel Vilas Boas 

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