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domingo, 21 de junho de 2015

OSTOMIZADOS


O nome é difícil de pronunciar e para muitos de nós não passa de um enorme ponto de interrogação. O certo é que, em Portugal, existem mais de dez mil ostomizados.
A ostomia é uma cirurgia que constrói um novo trajeto para as fezes e urina. A partir do momento em que passa a ter que viver com um “saquinho” a vida de um ostomizado muda radicalmente, muito mais daquilo que devia, pois há consequências que podem e devem ser dribladas.

Recentemente, em Amarante, uma amiga – a Léa Valéria Pinheiro – criou formalmente a “ANO XV – Associação Nacional dos Ostomizados”.
Mulher determinada e corajosa, que obrigou a vida a sorrir-lhe, Lé Valéria lutou imenso para que esta associação visse a luz do dia e que os ostomizados portugueses, e em especial os da zona do Tâmega, pudessem ter um ponto de apoio médico, logístico e afetivo.
Nas últimas semanas, a associação tem procurado agir em várias frentes. Primeiro dar-se a conhecer, depois alertar a comunidade para os problemas, limitações e preconceitos que os ostomizados são vítimas.
Esta associação tem como missão promover a qualidade de vida dos ostomizados através dum apoio personalizado quer aos próprios doentes quer aos seus familiares. Entre os seus objetivos estão sensibilizar a sociedade civil para o problema; promover a (re) integração dos ostomizados na sociedade; recolher e disponibilizar informação legal e médica relevante para estes doentes; apoiar projetos que surjam, na sociedade civil, com o propósito de ajudar este tipo de doentes.

A este propósito saliento que recentemente Léa Pinheiro concorreu ao Prémio Tâmega e Sousa Empreendedor com uma ideia que pode melhorar e muito a vida dos colostomizados – um cinto que contorna o abdómen com um suporte que abrange o saco. Em vez do peso estar concentrado na zona do estômago, fica dividido pela cinta e pelo dorso. Isto permite um conforto bem maior ao colostomizado. O nome do invento é SSC – Suporte de Saco para Colostomia. Para já o invento chegou aos cinco finalistas do concurso, sendo premiados os três melhores projetos.
Esta jovem associação tem já em vista várias atividades a executar junto da comunidade local, numa primeira fase, e na comunidade nacional, num segundo momento.

Para já o objetivo é criar uma equipa multidisciplinar, que abranja as áreas da psicologia, enfermagem, nutrição e assistência social, que apoie no domicílio ou em unidades hospitalares (por exemplo, Centros de Saúde), os ostomizados, com estratégias que ajudem o ostomizado e os seus familiares a adaptarem-se à sua nova realidade.
Além disso, a Associação Nacional de Ostomizados quer divulgar e fomentar o aparecimento de produtos que contribuam para a reintegração destes doentes assim como manter os associados informados dos direitos e isenções que esta capacidade abrange.
Como diz o slogan da associação, há vida depois da Ostomia. E cada um de nós pode fazer um bocadinho parte dela. Entendendo, cuidando, apoiando.

Gabriel Vilas Boas 

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