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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

FRIDA KAHLO, AUTO-RETRATO COM MOLDURA


"Pinto-me a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor."
"Pintar completou a minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido a minha vida pavorosa. A minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor."

Frida Kahlo

    Frida Kahlo foi uma pintura mexicana excecional, que viveu na primeira metade do século XX. A sua vida parece um conto de fadas ao contrário. Uma vida conturbada e muito infeliz, marcada por acidentes gravíssimos, saúde muito periclitante, relacionamentos amorosos muito difíceis. No entanto, a Frida Kahlo era uma mulher duma determinação única, uma personalidade fortíssima, que jamais se ficava perante alguém ou algo. A sua pintura reflete a sua vida, as suas opções amorosas, políticas, ideológicas e até os graves problemas de saúde que a acompanharam numa vida tão cheia e intensa, apesar de só ter durado 47 anos.

    Hoje foco a minha atenção no seu Auto-Retrato (a moldura). Um óleo sobre metal com vidro, pintado no México, em 1938.
    O rosto que espreita desta animada moldura é o da pintora mexicana Frida Kahlo. Kahlo voltou-se para a arte enquanto recuperava de um debilitante acidente rodoviário e retratou-se a si própria mais de 100 vezes, dizendo que era o tema que melhor conhecia.

    O quadro celebra as raízes mexicanas de Kahlo. As ornamentações foram inspiradas pela arte popular mexicana e o retrato em si mostra Kahlo num traje tradicional do seu país, com fitas e flores no cabelo.
    A obra foi exibida numa exposição de arte mexicana e tornou-se num sucesso imediato quando foi comprada pelo famoso Museu do Louvre, em Paris.   
    É provável que as aves tenham sido baseadas em animais de estimação da própria Kahlo, que tinha muitos, incluindo papagaios e macacos, e os representava frequentemente nos seus retratos.

    Neste auto-retrato devemos reparar nas diferentes flores e formas decorativas que compõem a moldura. As ornamentações foram pintadas em cores transparentes, do lado de dentro dum pedaço de vidro. É isso que explica as alterações cromáticas quando as cores se sobrepõem no centro do quadro.


    Também é necessário prestar atenção à mistura de estilos. A moldura é deliberadamente vibrante, carregada e simples. Por contraste, o rosto de Kahlo é mais realista. O rosto foi pintado sobre metal, dado que o metal é brilhante e não absorve a tinta. As cores são forte e vivas.
      Por último, uma nota para as duas aves exóticas ao fundo da imagem, sobrepondo-se ao retrato.
   Como este próprio auto-retrato sugere, a vida de Frida Kahlo é cheia de cor e movimento. A ela estiveram atentos diversos artistas da atualidade. No ano de 1992, Frida foi mencionada na canção "Esquadros” de Adriana Calcanhoto. Em 2008, a banda inglesa Coldplay lançou o álbum Viva la Vida or Death and All His Friends, cujo título é inspirado num quadro de Frida, também intitulado "Viva La Vida" e que dá o nome também à principal canção do disco. Segundo o vocalista Chris Martin, o título foi escolhido devido ao otimismo de Frida, mesmo com os percalços sofridos pela artista, ao exaltar a vida no referido quadro.
    Mas se quiserem conhecer esta personagem única, o melhor é ver o filme de Julie Taymor, “Frida”, de 2002, que narra a história da pintora, interpretada pela atriz Salma Hayek.

 Gabriel Vilas Boas

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