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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A BATALHA DE ALJUBARROTA

A Batalha de Aljubarrota é dos momentos históricos mais conhecidos dos portugueses e daqueles de que mais orgulho temos. Infelizmente, é um momento único na nossa História.
E por que nos orgulhamos tanto desta batalha que quase nenhum espanhol conhece a existência, apesar de ser sobre Castela a nossa vitória? A vitória do exército português naquele final de tarde do dia 14 de agosto de 1385 representa o triunfo da coragem, da valentia, do sentimento português, da inteligência do pequeno sobre a soberba do grande.
Aljubarrota criou dois novos heróis e uma nova dinastia. Nuno Álvares Pereira e o Mestre de Avis (futuro rei D. João I) eram dois bastardos, destinados a ser peças secundárias num reino em degradação, mas o destino deu-lhes a oportunidade de escrever um guião diferente e feliz para Portugal.
Ainda que ninguém o soubesse, começavam na grande amizade e no enorme patriotismo destes dois homens os melhores 150 anos da nossa História coletiva.


Aquela foi a batalha perfeita da nossa História: garantiu a independência, afirmou um rei, consolidou um território, ganhou o respeito do inimigo e assegurou definitivamente a paz. É para isso que se faz a guerra – para conquistar a paz.
Depois da vitória em Aljubarrota, Portugal deixou-se de guerras inúteis com Castela e apostou no seu desenvolvimento. Como não podia crescer por terra, cresceu por mar. A coragem, a determinação, a inteligência, a ousadia da época dos Descobrimentos começou na vitória militar no campo de S. Jorge.
A partir de 1385, Portugal firmou aliança com Inglaterra e daí resultou um dos casamentos mais felizes da nossa História: D. João e D. Filipa de Lencastre que “produziram” a ínclita geração, uma espécie de geração de ouro da história de Portugal. O país abria asas além da península e via um horizonte mais vasto.
No entanto isto só foi possível porque quem nos guiou naqueles anos de incerteza não se preocupou com os títulos e as honras de quem os acompanhava, mas exclusivamente com o seu valor. Quem nos guiou amava os seus e a sua terra mais do que a si próprio. Acho que essa é das lições mais importantes que temos de aprender com a batalha que ocorreu há 629 anos.

Desgraçadamente, o nosso desejado sempre foi D. Sebastião e não um Mestre de Avis qualquer. Talvez resida aí uma das razões por que andamos a falhar há séculos a escolha do nosso guia. Se repararmos bem, Camões engrandeceu Nuno Álvares Pereira, louvou D. João I, mas o herói da batalha e da epopeia foi sempre o povo português. Aquele que nunca se rende, aquele para quem não há impossíveis.
Gabriel Vilas Boas

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