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sexta-feira, 22 de junho de 2018

O ANALFABETO POLÍTICO


O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa de eventos políticos. Ele não sabe que o custo da vida, o preço do feijão, do peixe e da farinha, da renda da casa, dos sapatos e da medicina, tudo depende de decisões políticas. 

O analfabeto político é tão estúpido que é com orgulho que afirma odiar política. 

O imbecil não imagina que é da ignorância política que nascem as prostitutas, as crianças abandonadas e os piores ladrões de todos - os péssimos políticos, corruptos e lacaios de empresas nacionais e multinacionais.

bertold brecht 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O GOVERNO ESTÁ TENTADO A BRINCAR COM O FOGO. PODE SER QUE SE QUEIME.



Há mais de duas semanas em greve, os professores vão resistindo aos jogos de poder e contra-informação do Ministério da Educação. A firmeza dos professores, a clareza e a justiça das suas posições têm sido a melhor resposta a todas as tentativas de manipulação da opinião pública, dos pais, dos alunos e até dos professores.
Um por um, os falsos argumentos do governo vão caindo e sendo abandonados, para logo a seguir aparecer outro, em forma de ameaça, que segue o mesmo caminho dos anteriores, porque é muito difícil vencer gente determinada e com razão.

Primeiro veio o argumento que não havia dinheiro. Provou-se que há, que não é necessário tanto como o governo disse, e que os professores estavam dispostos a recebê-lo faseadamente.
Depois veio novamente o mito da carreira docente, onde toda a gente progride automaticamente sem avaliação. Miguel Sousa Tavares fez o papel de bobo da propaganda governamental e saiu-se mal.

Logo de seguida, a rábula da nota informativa / esclarecimento sobre a realização dos conselhos de turma, querendo obrigar os diretores a desobedecer à lei. Felizmente, a esmagadora maioria dos diretores não são moços de recados.
Seguiu-se a ameaça rasteirinha da Confap, ao bom estilo Trump, dando a entender que lidam com os professores como se fossem seus donos, teve o mesmo êxito que a nota informativa do Ministério.
Há pouco dias o Ministério da Educação suscitou a questão dos serviços mínimos na greve dos professores às reuniões de avaliação. Ainda está em aberto, mas no dia em que uma reunião de avaliação, para atribuir notas de alunos, for um serviço mínimo, é melhor os partidos acabarem com o direito à greve.

Ontem, António Costa disse no Parlamento que o único compromisso com o governo foi discutir o tempo e o modo do tempo de serviço a recuperar. Quem esteve na negociação entre professores e governo sabe que não foi isso que ficou assente. Mas a ser verdade aquilo que António Costa afirma, bastava ao primeiro-ministro ter proposto a recuperação de um mês de tempo de serviço, que a sua promessa já estava saldada.
Hoje, de maneira informal, o ME pediu a alguns jornalistas do «i» que escrevessem a genial solução que o ME prepara para resolver o problema dos alunos que não têm nota interna e têm forçosamente de se candidatar ao acesso à universidade: concorrem com a nota do exame. 
Os alunos já reagiram e os pais também. Estão alarmados e muito preocupados. Além de ilegal, a solução criará grandes injustiças, prejudicando uns e beneficiando outros. Com essa solução, os candidatos ao ensino superior não concorrem em pé de igualdade.
O objetivo do governo é colocar pais e alunos contra os professores. Por isso torna-se imperioso mantermo-nos unidos, pacientes e fazer passar claramente as razões da nossa luta. Com o tempo, alunos e pais perceberão o jogo do governo de António Costa e saberão pedir contas a um governo que tanto desprestigia quem forma e educa as gerações futuras do país.
GAVB

quarta-feira, 20 de junho de 2018

REFUGIADO EM PORTUGAL? SÓ COM VISTO GOLD


No Dia do Refugiado ficamos a saber os dados sobre os refugiados em Portugal, com especial destaque para os vistos concedidos e… recusados. 64% dos pedidos de asilo feitos a Portugal, em 2017, foram recusados. No ano transato só foram concedidos 500 estatutos de proteção internacional, o que faz de Portugal um dos países europeus que mais recusa o estatuto de asilo aos refugiados que procuram a Europa.

Paralelamente, o estado português concedeu 2678 vistos gold em 2017. Trata-se do número mais alto de vistos gold concedidos, desde que este projeto entrou em vigor, há cinco anos.
Os vistos gold não criam emprego mas dão um lucro fabuloso e favorecem muito a corrupção e o livre acesso ao território europeu a gente que pode pagar, mas que não estava nada certa de poder entrar de outro modo. 
Os vistos gold sempre me pareceram aquilo que a eurodeputada Ana Gomes classificou como “um esquema de prostituição das cidadanias europeias”.
Não é possível consultar a lista dos nomes destes generosos investidores estrangeiros, mas não custa nada perceber a razão por que se prestam a pagar 500 mil euros para residirem em Portugal. Querem circular à vontade, em solo europeu. Para fazer o quê? Não lhes fazemos perguntas, desde que paguem. E também não publicitamos os seus nomes, moradas, residências, registos criminais, interesses comerciais...

Já um refugiado, ou seja, um pobre que foge à guerra ou à miséria ou às máfias que tomaram conta do seu país, é recambiado porque não tem como pagar. Talvez se fosse traficante pudesse entrar… quer dizer, pagar.
A nossa humanidade caminha na mesma direção da nossa dignidade – para o abismo. Por isso recordo, um escritor espanhol do século XVI: “Quando perdes a dignidade por causa de um negócio, acabarás por perder o negócio e a honra.”
GAVB

terça-feira, 19 de junho de 2018

TRUMP APOSTA FORTE NA CRUELDADE E NA DESUMANIDADE


Separar crianças de tenra idade das suas mães, fazê-las sofrer até ao limite do desespero, mantê-las em cativeiro como se de animais se tratassem até perceberem bem de quanto crueldade pode ser feito o poder arbitrário de um homem é a aposta clara de Donald Trump para tratar com os seus imigrantes ilegais, vindos do México, da Guatemala, Honduras, El Salvador e México.

 Trump adora ser um estupor. Não me surpreende, mas enoja-me. 
O que mais me revolta é a insensibilidade do povo americano. O que votou nele e o que não votou, o que tem filhos e o que não tem, o pró emigração e o anti hispânico.

Será que o povo americano não se dá conta que está a perder humanidade de uma maneira assustadora?
Uma criança chora suplicando pelo pai, outra desespera no meio da noite à procura da mãe enquanto Trump se prepara para abandonar o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, exibindo com boçal orgulho a sua “tolerância zero” aos imigrantes ilegais.
A América do século XXI afunda-se num poço de desumanidade e crueldade nunca antes visto.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

A CONFAP ESTÁ COM MEDO QUE ESTRAGUEM AS FÉRIAS AOS MENINOS




A Confap (Confederação Nacional das Associações de Pais) «ameaça» sair em defesa dos contratos de associação, que é como quem diz das escolas privadas em detrimento das escolas públicas.

Ao ver o incómodo da Confap com a luta dos professores pelos seus direitos sociais e profissionais, ocorre-me a mais básica das perguntas:
O que é que a Confap tem que ver com uma luta entre professores e a sua entidade patronal?
Acho que muito pouco ou mesmo nada. Andam nervosinhos porque as notas dos filhinhos ainda não saíram? Não é necessário tanto nervosismo. Os professores darão as justas notas aos seus filhos, mas detestam que os ameacem.
Ao ameaçar defender o ensino privado em relação ao público a Confap está a «confessar» algumas verdades que todos intuíamos.

A Confap acha que os professores do ensino privado não fazem greve por mais espezinhados que sejam porque quem manda nos colégios é a vontade dos pais;
a Confap acha que os professores devem comer e calar, por mais miseráveis que sejam os seus salários e por maiores que sejam os atropelos aos seus direitos;
A Confap pensa que o direito à greve é algo arcaico e que jamais deve ser utilizado com eficácia, especialmente se isso aborrecer os papás ou os meninos que ficam com a sua vidinha um pouco indefinida durante duas ou três semanas. Já o facto dos professores terem a sua carreira congelada há mais de nove anos é assunto sem relevância social;
A Confap não representa 10% dos encarregados de educação dos alunos portugueses, mas acha-se no direito de ameaçar os professores, possivelmente porque a sua força não está na sua representatividade mas na capacidade de fazer lobby junto do ME;
A Confap não se preocupa com as condições de trabalho de quem ensina os seus filhos, porque sabe que a dignidade profissional dos professores é coisa séria e que não está à venda nem se troca por qualquer subsídio do ME.

A greve dos professores às avaliações tem sido ótima para descobrirmos a face de alguns agentes do sistema educativo português. Ao ver o discurso da Confap começo a achar que encontraríamos maior sentido de responsabilidade e verdade no meio das associações de estudantes.
Acho que eles nunca diriam que 2+2 = 22, por muita pena que tivessem que o colega não transitasse de ano.
GAVB



domingo, 17 de junho de 2018

MARCELO SIM, COSTA NÃO!



 Num momento íntimo e sentido, em que relembraram o dia mais traumática das suas vidas (17 de junho de 2017), as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande fizeram questão de convidar o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas não endereçaram o mesmo convite ao primeiro-ministro António Costa.
Não me parece que aquela gente esteja particularmente zangada com o líder do Governo, mas o «não convite» a António Costa não foi um esquecimento. A dor que atingiu aquelas pessoas fê-las perceber que só quem é totalmente genuíno pode ter a honra de homenagear aqueles que morreram por causa da falta de protecção civil.

Marcelo soube entender a dor profunda daquela gente muito para além do cargo que ocupa. Percebe-se isso em cada gesto, no tom de voz, na influência pequena ou grande que move, na autoridade com que encosta o governo à parede da sua responsabilidade.
A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrogão não convidou o Presidente da República de Portugal, mas antes Marcelo Rebelo de Sousa, que, «por acaso» ocupa o mais alto cargo da nação. Marcelo sabe perfeitamente quando tem que ser, antes de mais, um compatriota, um amigo, o mar imenso onde desaguam todos os rios de tristeza, infortúnio e desespero. Não é apenas um dom, é saber ser genuíno quando é absolutamente imperioso que o seja.


Ser genuíno é das coisas que António Costa tem mais dificuldade em ser. Ele o protótipo do político que não se compromete, que faz o discurso certo e recomendado nos livros de ciência política, mas um povo precisa mais do que isso. Precisa de gente com alma, gente em quem possa confiar sem que seja preciso uma lei, uma carta assinada ou uma maioria que o empurre. Um povo precisa de sentir que para o seu líder palavra dada é palavra honrada. Com António Costa isto é pouco mais do que um chavão com muitos asteriscos.
GAVB

sexta-feira, 15 de junho de 2018

CRISTIANO RONALDO É MESMO O MELHOR


Só um jogador fabuloso consegue aliar talento, inteligência, sentido coletivo, liderança. Neste momento, não há nenhum jogador de futebol consegue fazer isso como o português Cristiano Ronaldo. 
O capitão da seleção portuguesa carrega uma equipa mediana às costas e torna-a parceira das melhores equipas mundiais. Ronaldo assume o papel de capitão de equipa com uma eficiência nunca vista em nenhuma equipa nacional de qualquer modalidade. 
Sabe agregar, sabe impor respeito pela equipa e não se esconde quando todos esperam que seja ele a fazer a diferença para os demais.
Três golos num mundial já Eusébio tinha marcado (1966, Inglaterra), mas fazê-lo contra uma equipa como a espanhola nunca tinha acontecido.

É verdade que os espanhóis foram melhores e tiveram momentos infelizes, mas o herói dos portugueses é hoje um futebolista acima dos seus pares e como um mágico é capaz de nos devolver um sorriso de felicidade quando a frustração parecia um destino certo.
Ele é mesmo o melhor do mundo.
GAVB